Vitória comunitária em Luziânia

Uma escola inclusiva mantida por doações no bairro do Jardim Ingá abre espaço para crianças com necessidades especiais

 

A hora da aula é a melhor do dia para Elias Dias Ferreira, de 13 anos. Ele não estuda em uma escola com ar condicionado em todas as salas nem o parque de diversões é o de melhor estrutura. Longe disso, Elias mora no Jardim Ingá, em Luziânia (GO), uma das cidades com maior população do entorno do Distrito Federal e com indicadores sociais que lembram cidades pobres do sertão nordestino. Analfabetismo no lugar, por exemplo, é de 16,8%. No entanto, ele está matriculado em uma unidade de ensino bancada por doações e fundada na base de um grupo de amigos. A diretora Silvana Vasconcelos entende que o público prioritário é de crianças com necessidades especiais, mas hoje, dentre as 200 matriculadas, há estudantes de diferentes perfis. Elias não tem necessidades especiais, mas aprendeu, na prática, uma valiosa lição: lidar com diferenças. Elias, que já estudou em outros colégios, afirmou preferir a Escola Maria Teixeira porque tem mais brincadeiras, pode se divertir mais.

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Elias gosta das aulas de “respeito à natureza”.   Essas aulas dão ênfase na reciclagem e nos cuidados com o meio ambiente, de acordo com a diretora da escola, Silvana Patrícia de Vasconcelos. A diretora ressaltou que todos os alunos aprendem a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), ética do amor, uma disciplina que ensina os alunos a respeitarem às diferenças, e outras quatro matérias relacionadas à educação inclusiva, além das obrigatórias. Silvana Vasconcelos disse que a ideia do projeto surgiu há aproximadamente 22 anos, quando ela e um grupo de amigos iam para uma chácara de família. Ao observarem a quantidade de analfabetismo na região e a falta de preparo no ensino de crianças com deficiência, os amigos decidiram abrir uma escola inclusiva. Apesar de o grupo original ter se desfeito, a escola permanece há 20 anos desenvolvendo o projeto na chácara do Jardim Ingá.

A escola recebe colaboração financeira de doadores, também conhecidos como padrinhos ou madrinhas da escola. Para contribuir, deve acessar o site da escola, preencher um formulário com o nome, telefone, endereço, e-mail e o valor da doação.

Há 20 anos, a Escola Maria Teixeira educa crianças com necessidades especiais. Foto: Facebook/ Reprodução
Há 20 anos, a Escola Maria Teixeira educa crianças com necessidades especiais. Foto: Facebook/ Reprodução

A aluna Natália Barbosa da Silva, de 11 anos, disse que acha interessante a iniciativa da escola. “Eu acho bom porque a gente não aprende só o português e a matemática. A gente aprende a conviver com as diferenças”, afirmou Natália.   A diretora afirmou que prefeitura da cidade ajuda com o transporte, com a metade do orçamento das refeições e com o salário de uma professora do centro de ensino.

Reconhecimento

Silvana Patrícia de Vasconcelos recebeu o prêmio “campeões do carinho” de uma empresa multinacional neste ano pelo trabalho desenvolvido pela escola Maria Teixeira. O resultado da premiação saiu nessa segunda-feira (9/6) e visa reconhecer projetos que contribuem para um mundo melhor. Segundo a página da campanha, 365 histórias de brasileiros foram cadastradas, mas somente três foram escolhidas.

Por Jade Abreu  – Agência de Notícias UniCeub

Colaboração de Luísa Bastos e Marina Ribeiro

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção