Projetos auxiliam Síndrome de Down no DF

 

Cerca de 300 mil pessoas são portadoras da Síndrome de Down no Brasil, segundo o IBGE. Jessica Mendes é uma garota de 22 anos que faz parte da população down de Brasília. Formada em fotografia, ela conta que sofreu muito preconceito na época da faculdade, mas que conseguiu vencer as dificuldades e crescer na carreira. “Hoje em dia eles aceitam, mas algumas pessoas não aceitam como eu sou.” Atualmente ela trabalha como relações públicas da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, mas não abandonou a paixão pela fotografia. “Aprendi que a fotografia pra minha vida seria diferente, seria uma outra visão e, pra mim, a fotografia é como se fosse um terceiro olhar, um mundo novo, diferente.” Assim como Jéssica, vários outros portadores da síndrome levam uma vida normal, cheia de felicidade.

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Mesmo não sendo uma doença, muitas pessoas ainda a enxergam como tal. Em Brasília, dois projetos procuram ajudar os portadores da síndrome a enfrentar as dificuldades do dia a dia. O Ápice Down é uma ONG que auxilia a população Down em todas as fases da vida. Localizada em Águas Claras, atende mensalmente uma média de 895 pessoas.  Os profissionais, na maioria, são voluntários e especializados na síndrome. A ONG possui parceria com a universidade de Brasília e com outras instituições. Jéssica é participante da ONG há 14 anos e ela diz que a vida, depois do programa, mudou para melhor. “Gosto muito de lá, eles fazem trabalhos mais práticos como fisioterapia, dentista, psicologia, tudo”.

Idealizadora e coordenadora da ONG, Nadja Quadros, afirma que a síndrome não é uma doença e sim um jeito diferente de vir ao mundo. “São pessoas que têm um ritmo diferente. Dizem que a pessoa com síndrome de Down tem sistema límbico mais desenvolvido, então eles são mais amáveis, mais sociáveis, são pessoas puras, que não veem maldade.”

Outro projeto é o Cris Down, um programa do governo que é um centro de referência interdisciplinar em Síndrome de Down. A equipe é composta por 16 profissionais, entre eles médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, situado no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).

A coordenadora do Cris Down, Moema Arcoverde, conta que esse projeto foi uma conquista muito grande para a população Down de Brasília. “Essa assistência já existia, mas ela não era oficializada, não era multidisciplinar, muito menos interdisciplinar. Então foi a concretização de um projeto que envolveu muito amor, muito carinho, muita dedicação de toda a equipe.”

A data de 21 de março marca o Dia Internacional da Síndrome de Down.

O dia 21 de março foi escolhido pela ONU em 2006, em razão da trissomia no cromossomo 21 dos portadores da síndrome. A trissomia acontece na divisão dos cromossomos. Cada ser humano possui 46 cromossomos que se separam em 23 para duas células. Mas, às vezes, essa divisão falha, e um dos cromossomos (nesse caso o 21) ficam unidos em uma só célula. Quando as duas células se unem, somam 47 cromossomos, três deles sendo o 21.

Por Juliana Braz e Victor Fernandes 

Post Author: Editor Agencia CEUB