Professora assassinada na Asa Norte havia prestado queixas contra policial

O roteiro da tragédia tem um enredo semelhante a de outras histórias que terminaram em feminicídio. Uma pessoa próxima à vítima alega estar inconformada com o fim de um relacionamento. Depois, surgem agressões e ameaça de morte. No caso de Débora Correia, de 43 anos, assassinada ontem (segunda, 20), houve queixas na delegacia e uma série de providências para tentar sumir das vistas do agressor. Segundo o relato de testemunhas e da polícia, o antigo namorado, Sérgio Murilo dos Santos, 51 anos, encontrou Débora às 9h45, no trabalho dela, na sede da Secretaria de Educação do DF, na quadra 511, na Asa Norte, e disparou “vários” tiros contra a vítima. Ela morreu no local. O assassino se matou em seguida.

Entre janeiro e abril, 11 mulheres no Distrito Federal foram assassinadas. De acordo com o delegado da Polícia Civil, Laércio Rossetto, o acusado se identificou na portaria e subiu para o terceiro andar, local onde se encontrava a vítima. Teria havido “uma breve discussão” antes dos disparos. O delegado informou que acusado e a vítima tiveram um relacionamento no passado, mas estavam separados, e que Débora já tinha feito mais de uma ocorrência contra Sérgio, por “ameaça e perturbação de tranquilidade”. A investigação será conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil.

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Segundo uma amiga da vítima (que preferiu não se identificar), o relacionamento não foi longo e ela não chegou a morar com ele. “Quando ela interrompeu o namoro, ele não aceitou”. A amiga a descreve como uma pessoa “muito reservada” e que ela teria contado a ameaça a poucas pessoas. “Em um dia (no ano de 2017), ela passou três horas ameaçando dentro de um carro. Aí ela denunciou. Em 2017, ela passou a ter medidas protetivas. Ela se mudou do local em que ela morava. Para se ter uma ideia, ela não colocou mais nada no nome dela. Ele deve ter rastreado a Débora pelo trabalho. Ela teve que mudar de trabalho. Infelizmente, isso não impediu que o assassinato ocorresse”.

A Polícia Civil negou que havia medida protetiva para a vítima e que não revela histórico dos seus servidores.

** A reportagem de autoria de Vinícius Heck foi publicada no Jornal de Brasília

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção