Preço da carne deve cair no começo de 2020, aponta CNA

Do açougue ao churrasquinho da esquina, pagar a conta virou um pesadelo nos últimos dias. Na última semana de novembro, o valor da arrouba do boi gordo superou R$ 231, numa elevação superior a 35%. Mas a situação deve mudar. O presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, acredita que o preço da carne bovina deve cair no primeiro trimestre de 2020. Mas não serão preços de 2019. “Ninguém espere que vai voltar a preço de 60 dias atrás porque eram valores achatados”. A elevação no valor das carnes é atribuída ao maior volume de exportação do produto para a China. Com menor oferta no Brasil, o mercado doméstico sofreu as consequências. A entidade ainda rejeitou a ideia que as exportações poderiam fazer com que faltasse carne no país, e prevê que o ano de 2020 pode ser positivo para os produtores nacionais.

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A elevação nos preços das carnes bonina, suína e de frango (e até dos ovos) foi um ponto “fora da curva”, de acordo com o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi. Ele contextualiza que tiveram diferentes motivos para a carne subir tanto, como o fato de ter havido a peste suína na China com uma redução de 28% do rebanho. Para compensar a perda, o país com a maior população do mundo precisa exportar a carne bovina. Outro motivo é o ano novo chinês, que comemora o “ano do porco”, e aumenta o consumo de proteína animal. “A situação tende a se reequilibrar no ano que vem no Brasil”, avalia. Ele entende que esse momento de “exceção” deve servir de estímulo para que os agropecuaristas possam investir mais na produção com tecnologia. João Martins exemplifica que os produtores de carne bovina separam animal para abate a partir de três anos e que, a partir de agora, será dobrado o número de bois confinados. Isso, atrelado às melhores condições climáticas, deve fazer com que o mercado doméstico seja mais abastecido e os preços caiam.
Bruno Lucchi avalia que, apesar da elevação dos preços neste final de 2019, isso não significa que diminuiu o poder de compra do brasileiro em relação à carne bovina. Ele compara que, em 2004, para comprar um quilo de picanha era necessário cerca de 10% do salário mínimo. Em 2019, esse valor é de 5,6%. “O salário mínimo vai aumentar no ano que vem e a situação deve melhorar também”.
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Protecionismo
Os representantes da entidade estão otimistas para 2020, mas alertam que os produtores brasileiros devem estar em alerta para alguns fatores internacionais, que podem influenciar a economia brasileira. Entre os temas de atenção, está o cenário da eleição presidencial nos Estados Unidos, que pode trazer maior discussão sobre a necessidade de protecionismo da agroindústria daquele país, bem como um possível acirramento da guerra comercial entre as maiores potências globais.
O presidente da CNA está entusiasmado com a possibilidade de uma primeira safra no ano que vem. Ele entende que o maior acesso a financiamentos e tecnologia deve proporcionar maior competitividade ao produtor brasileiro. Para ele, outros fatores positivos são a redução dos juros, a aprovação ou encaminhamento das reformas econômicas e o melhoramento da infraestrutura para escoamento da produção da agricultura e da pecuária. “A partir deste ano, está em andamento um conjunto de ações em diferentes modais de transporte. E isso tem ajudado e está apenas começando”.
Olho em novos mercados
A superintendente de relações internacionais da CNA, Ligia Dutra, explica que a parceria com o mercado chinês é fundamental para os produtores brasileiros nesse caso da carne, já que mostram competitividade, mas considera importante que seja diversificada a pauta de exportação para a China e outros mercados.  “Esse é um momento de exceção. Pode passar. Por isso, precisamos aumentar a exportação e encontrar novos consumidores”.  Em 2019, por exemplo, aumentou o volume de exportações em 5,8% em relação ao ano anterior, mas caiu em 4,2% os valores (já que houve mais venda de produtos mais baratos, como o milho).
No mercado interno, um desafio para o presidente da CNA é diminuir a desigualdade entre os 4,5 milhões de produtores rurais no Brasil. “Desses, 10% detêm a maior parte das riquezas da agropecuária brasileira”. Para isso, a entidade argumenta que tem prestado apoio para diminuir as distorções e manter os trabalhadores no campo em condições adequadas. “Precisamos formar uma classe média com a devida assistência”.

Por Luiz Eduardo Certain

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Imagens de vídeo: Wagner Augusto

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção