Misofonia: entenda a síndrome da sensibilidade auditiva

Sabe aquele barulho insuportável que dá, quando decidem esfregar um isopor no outro? Ou do barulho que o giz faz quando passam no quadro? Ou quando passam a unha em agendas e pastas? Pode parecer bobo, pois todo mundo tem agonia pelo som que alguma delas faz ou algo parecido, mas para quem sofre de misofonia, a situação já é bem diferente.

Quem lida com a misofonia, acaba tendo uma aversão a sons. O desconforto é tão grande que o indivíduo pode ter arrepios, uma agonia horrível, angústia, raiva, ansiedade, pânico e até mesmo ataques de raiva. Sabe o barulho de mastigação? É a pior delas! Mas para entender melhor:

A misofonia (Miso = Aversão; Fonia = Sons) também conhecida como a Síndrome dos Quatro S’s (Síndrome da Sensibilidade Seletiva a Sons) é a hipersensibilidade que a pessoa tem a sons. Mesmo que o barulho não seja alto, a capacidade de concentração é afetada. Esse distúrbio é raro e muitas vezes aparece ainda na infância, podendo piorar ao passar dos anos.

Além da misofonia, existe também a hiperacusia e a fonofobia. Para entender um pouco melhor cada uma, é necessário entender que algumas pessoas se incomodam com o volume dos sons (TV, música, vozes das pessoas). Essas pessoas podem perfeitamente conviver com os sons que os incomodam, desde que o volume deles esteja mais baixo. Isso descreve os casos puros de hiperacusia. Já no caso da fonofobia, uma minoria tem medo de se expor a sons porque se preocupam com o risco para os ouvidos ou a saúde. Embora o conceito esteja correto, a fonofobia impede o paciente de ter vida social e familiar porque o medo aparece antes mesmo da pessoa sentir o incômodo com qualquer som.

Para a estudante de direito Jadi Cristinne Ribas, de 22 anos, a questão com a misofonia sempre foi bastante específica. A sensação que ela sente é como se saísse da cabeça e descesse pelas vértebras, arrepiando os pêlos quando escuta barulhos finos e estridentes. “É uma gastura horrível. Aquele barulho de quadro quando passa o giz, sabe? Ou quando a cadeira arrasta no chão. Nossa me dá um arrepio de verdade, eu fico agoniada. É comparado quase a um choque”. Jadi explica que desde pequena, esses barulhos já a irritava, sua mãe até mesmo já tinha a levado ao médico para poder solucionar o problema.

Isolamento e machucados

Já para a artista digital Isabella Fernandes, a misofonia começou quando tinha entre 12 e 13 anos, devido ao um familiar, com quem almoçava depois da escola. Por conta do forte barulho da mastigação e de quando bebia, isso causou em Isabella uma reação forte que infelizmente, trouxe grandes problemas na sua vida. “Com misofonia francamente tenho medo de não conseguir segurar a raiva. Para não agredir alguém ou demonstrar que estou tendo uma crise”. Isabella explica que após esses casos,  de pessoas próximas fazendo barulho enquanto comia, passou a comer no quarto para tentar evitar qualquer crise. Mas quando tem, infelizmente acaba se machucando. “Muitas vezes desconto a raiva em mim. Já enfiei garfo, alicate na perna, me furei, me arranhei. O som me faz sentir como se não houvesse saída daquele momento. É desconfortável, me altero, fico quente, nervosa e em alguns casos dá ansiedade depois.”

Hoje com 21 anos, a misofonia acabou se expandindo. Após anos lidando com um familiar, passou  para pessoas aleatórias em ocasiões diferentes. “São sons feitos pela boca que não param imediatamente como mascar chiclete, lambido, mastigando, ou o barulho de alguém tomando algo. Quando alguém espirra ou tosse forte, eu fico quase como Bruce Banner se transformando no Hulk.” Isabella diz que muitas vezes precisa disfarçadamente tapar os ouvidos para aliviar de alguma forma.

Quando foi ao médico para encontrar algum tratamento, a reação que tiveram não foi a esperada. Entenderam como um efeito de ansiedade e ficou só por isso. Mas Isabella só foi descobrir o que era misofonia quando pesquisou na internet como um pedido de socorro. “Infelizmente não há vários tratamentos e é indefinido. Posso ter crises para o resto da vida ou pode parar amanhã. imagino também por ser uma raridade, vai custar muito caro e para algo com pouca pesquisa, não quero investir. Fico dependendo de um telefone e da minha força. O jeito é torcer para não expandir ainda mais com novos sons.”

Tratamento

Muitos podem pensar que quem sofre de misofonia, traz preliminarmente problemas de audição. Mas não é bem assim. Por ser uma síndrome rara, o tratamento consiste em treinamento auditivo e psicoterapia, tendo como método a terapia cognitiva-condicional. Esse método ajuda o paciente a aceitar e conviver com a síndrome da melhor maneira possível. Os especialistas indicados a tratar da misofonia é o fonoaudiólogo e o otorrinolaringologista.

SOS Misofonia

Criado pelo Instituto Ganz Sanchez, o “SOS MISOFONIA” é um site para ajudar a informar e ajudar de forma anônima, educada e gratuita quem faz sons irritantes e não percebe. Quem se sente constrangido de informar, tem o site como um espaço para ajudar quem realmente se sente incomodado.

No site há uma parte que explica o modelo do e-mail que deve ser enviado. Você pode conferir aqui

Há diversas ações realizadas por pessoas que sofrem com misofonia. Grupos em redes sociais já conta com mais de 4.000 pessoas e recentemente foi criada a Associação Virtual Brasileira de Misofonia, que também está empenhada em divulgar o assunto e buscar soluções, para que a misofonia seja um problema mais conhecido, mais investigado e tratado com mais sucesso.

Documentário “Quiet Please”

“Quiet Please” é um documentário que aborda de forma profunda, quem sofre a misofonia. Com histórias emocionantes, há diferentes relatos e especialistas falando a respeito. Além de explicar a síndrome, o filme trata de forma respeitosa quem lida com ela, dando quase uma voz a quem sofre arduamente. Você pode conferir o trailer do documentário aqui ou acessando o site para mais informações.

Confira também a matéria sobre Mama Tuberosa.

Por: Ana Vitória Queiroz

Supervisionada por Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção