Mais de 15 mil manifestam-se contra cortes de verbas para educação no DF

João Alves tem 46 anos e é vendedor de picolé. Estava na Esplanada dos Ministérios, nesta quinta (30 de maio), a trabalho mas disse que quis participar das manifestações. “Eu votei no Bolsonaro, mas me arrependi, porque o que ele tá fazendo aí não é o esperado. Esse decreto foi consultar ninguém”.  João entende que o país está em conflito. “Os mais ricos não querem repartir como os mais pobres, querem que continue do jeito que tá”. Perto dele estava a poetisa Adrieli. Ela diz que ainda está na luta para entrar na universidade federal “Eu fazia faculdade mas tive que trancar por questão de renda. Se do jeito que tá (agora) ficou ruim, imagina com esses cortes”.  Trabalhadores, estudantes de ensino superior e médio, políticos e professores (pelo menos 15 mil se reuniram em protesto contra a decisão do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, de cortar em 30% as verbas destinadas às instituições de ensino federais, ao todo R$ 1,7 bilhão de gastos.

O corte de gastos ocorreu no final de abril e, de acordo com o governo, 24% está relacionado às despesas não obrigatórias como água, luz, terceirizados, além de equipamentos e assistência para pesquisas e 3,43% ao orçamento total das federais. O ministro associou o bloqueio ao ‘’baixo desempenho’’ e ‘’balbúrdia’’, após anunciar a redução de verbas da UFF, UFBA e UNB.    

Em declaração oficial, ministro afirmou que o objetivo era investir dinheiro no ensino básico. “Um aluno numa graduação custa 30 mil reais por ano, um aluno numa creche custa 3 mil reais por ano, a cada aluno em uma graduação eu posso trazer 10 crianças para uma creche”.

Já o MEC classificou os cortes como contingenciamento e afirmou já ter sido aplicado outras vezes, o motivo é a baixa arrecadação de impostos. O Ministério afirmou também que medida pode ser revogada caso o arrecadamento aumente.

Percurso

O ato, que teve início às 10h, iniciando-se no Museu da República e parando na Praça dos Três Poderes, reuniu, de acordo com a Polícia Militar, cerca de 10 mil manifestantes, já o Sindicato dos professores do DF fala sobre o comparecimento de cerca de 50 mil pessoas.

Durante a movimentação, o presidente Jair Bolsonaro declarou achar os manifestantes “idiotas úteis”, no mesmo período o Ministro estava na Câmara sendo questionado sobre os cortes pelos deputados, ao saber, concordou com a afirmação do presidente.

Os estudantes e apoiadores começaram a concentração no Museu Nacional, o ato foi marcado por falas de poetas, deputados, representantes estudantis e estudantes no palanque principal. Logo após o movimento seguiu até o Congresso onde se dissipou com poucos manifestantes retornando para a Rodoviária do Plano Piloto.

Evellyn Luchetta, Geovanna Bispo, Helena Dornelas, Mayra Christie.

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção