Tratamento pela pet terapia: cães ajudam na recuperação de pacientes em hospitais e idosos em asilos

Cães terapeutas auxiliam no processo de melhora de autoestima de moradores de asilos e de pacientes no hospital . A pet terapia, como é conhecida, é um tipo de tratamento terapêutico assistido por animais. O trabalho é feito com objetivos específicos e o pet terapeuta atua em conjunto com profissionais da área da saúde. Tudo para ajudar no processo de reabilitação do paciente.

A ONG Pet Amigo é a única no Distrito Federal que faz a Atividade Assistida por Animais (AAA) e apenas trabalha com cães, sendo eles de porte e raças diferentes, desde Schnauzer, Lhasa Apso, até Golden Retriever. A proposta para implantação desse projeto no Hospital de Apoio de Brasília (HAB) começou em agosto de 2016. Após trabalhar como voluntária pela Associação de Voluntários do Hospital de Apoio com pacientes em cuidados paliativo, a veterinária Nayara Brea Marodin propôs o conceito do trabalho com cães, montou um projeto baseado em normas internacionais e apresentou para todos os setores do HAB.

Foto: Lizandra Costa/Agência de Notícias

Após aceito, o projeto iniciou com apenas dois cães que não passaram por processo seletivo ou  treinamento específico para atuar como pet terapeuta.  Posteriormente, os profissionais passaram a selecionar novos cães de acordo com métodos de seleção internacional (Veja Para Saber Mais). “O maior desafio desse trabalho é encontrar o cão ideal, o cão terapeuta, e também voluntários comprometidos com o animal, pois quem mantém o trabalho são os voluntários”, relata veterinária. Com a união da equipe de voluntários que trabalham nesse projeto, Nayara e Cecília Lamounier, 30 anos, servidoras públicas,  fundaram a ONG Pet Amigo, em março de 2017, pois sentiram a necessidade de expandir o projeto para outras instituições como outros hospitais, asilos e escolas.

Atualmente a ONG trabalha com 14 animais, 30 voluntários e atende pacientes de diversas idades e quadros clínicos. A cada quinzena, às quintas-feiras, a ONG visita o Hospital de Apoio de Brasília e os voluntários são guiados nas alas por uma assistente social do hospital. Antes da entrada dos animais nos setores e nos quartos, a assistente pergunta se os pacientes aceitam a visita dos pet terapeutas. Somente depois do consentimento deles é que os cães entram.

Antes e depois de entrarem em contato, é necessário que o assistido higienize as mãos com álcool gel para não haver contaminações. As atividades trazem a eles sentimentos de alegria, conforto, acolhimento, carinho e sensação de diminuição da dor.  Em geral, as visitas duram ao todo 1h30 e cerca de até 15 minutos por paciente. Porém, a cada 40 minutos os animais param para descansar e beber água.

Foto: Pet Amigo

Andréia Brito Dias, 33 anos, faz tratamento paliativo de câncer há quatro anos, mas somente há seis meses ela passou a receber a visita dos pet terapeutas.  “Quando eles veem é uma alegria sem explicação, mata a saudade de casa. O sentimento que crio com o cachorro é como se fosse um filho e eu sei o que é sentir isso, pois, tenho quatro filhos. Cada segundo com eles vale a pena, é um momento único da gente”, conta.

A assistente social do HAB, Mariana de Souza, acompanha alguns pacientes e observa que depois das vistas muitos deles dizem que o quadro emocional e os sintomas físicos melhoram. “A equipe do hospital se esforça para acompanhar porque vemos como faz diferença para o paciente. É um dia diferente no dia  a dia na rotina hospitalar”, explica.

Para que o cão possa participar do projeto é necessário cumprir alguns pré requisitos como tomar banho 24 horas antes das visitas; ser dócil e sociável; não reagir a nenhum estímulo como barulhos, cadeiras de rodas, toques, ou movimentos bruscos; ter treinamento básico e atender aos comandos “senta, deita e fica”; a cada 6 meses é necessário apresentar um atestado de saúde. Durante as visitas os profissionais se mantêm atentos para que os cães não entrem em contato com feridas ou acessos dos assistidos e também não tenham contato direto com o leito. Por tanto, sempre usam algum tipo de tecido descartável para colocar o animal em cima, que são trocados a cada paciente. Todo esse cuidado é necessário para que o assistido, os acompanhantes, o animal e os voluntários sejam prevenidos de qualquer contaminação.

Pet terapeuta

Um dos pet-terapeutas é um cachorro da raça Golden Retriever que atende pelo nome de Chico Bento e sempre teve temperamento tranquilo. A dona do cão, Dayane Siqueira, 31 anos, sempre foi voluntária em outros lugares. Por isso, decidiu cadastrar o Chico no Pet Amigo para saber se ele se enquadraria no perfil. O animal de estimação participou de um dos primeiros processos seletivos e passou com louvor,  sendo aceito na ONG e trabalhando inicialmente no HAB já como pet terapeuta. Mas Dayane conta que o vínculo maior que ambos têm é com o lar de idosos.

“O trabalho voluntário é uma troca, onde o voluntário às vezes ganha mais que o assistido. Ver o sorriso no rosto mesmo que seja por alguns segundos é um encanto”, ressalta. Chico é famoso nas redes sociais e encanta não só os pacientes que visita mas, também todos que o conhecem. “Chico é meu terapeuta particular e achei que nada mais justo dividir o amor dele com outras pessoas”, conta Dayane.

Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Nos asilos os animais são muito bem recebidos pelos idosos que esperam ansiosos pelo dia da visita deles. Muitos se arrumam especialmente para a ocasião. A interação realizada de forma individual dos idosos com os cães faz com que eles fiquem mais alegres e comunicativos, até mesmo os que estão acamados nos leitos.

Atualmente há quatro instituições no DF que recebem o tratamento assistido por animais: dois asilos particulares do grupo Altevita (Espaço Convivência na 503 sul e Espaço Longevitá no Sudoeste), um asilo público ( Lar dos Velhinhos Maria Madalena no Núcleo Bandeirante) e um hospital ( Hospital de Apoio de Brasília no Noroeste).

Para Saber Mais

A seleção do cão é feita em três partes. Se o animal passar por todas elas, pode ser aceito no projeto. Veja quais são as etapas:

1) Análise do formulário com os dados do cão para saber se ele atende aos requisitos;

2) Baterias de testes presenciais e avaliação da saúde por uma equipe de seleção composta por, no mínimo, três veterinários;

3) Por último, o animal participa como trainee em 3 visitas supervisionadas pela equipe da Pet Amigo.

Para candidatar o animal ao projeto é necessário enviar um e-mail para projetopetamigo@gmail.com e preencher o formulário. Para obter mais informações acesse o site http://www.petamigo.org.br/ .

Por Lizandra Costa

Supervisão de Isa Stacciarini

 

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

One thought on “Tratamento pela pet terapia: cães ajudam na recuperação de pacientes em hospitais e idosos em asilos

  • Iracema

    (12 de novembro de 2017 - 04:03)

    Muito bacana esse trabalho, conheci o pessoal que faz esse trabalho tão lindo…
    Só ñ sabia da discriminação, quanto aos SRD.
    Eles são tão bons quanto os de raça.
    Ou é a raça que está em questão?

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