Saiba mais sobre causas e tratamentos para epilepsia

A morte de João Pedro Braga de apenas 18 anos, filho do atual técnico do Fluminense, Abel Braga, trouxe à tona questionamentos sobre os mitos e perigos que a epilepsia pode trazer na vida dos que convivem com esse problema. Segundo uma versão para o acidente, uma convulsão teria deixado João inconsciente antes de cair da janela do apartamento da família, no Leblon, no Rio de Janeiro. Sobre o caso, o neurocirurgião André Borba explica que há uma grande dificuldade de acidentes como esse acontecerem com epiléticos que fazem tratamento. Segundo ele, apenas uma sequência de acontecimentos não esperados poderia resultar em uma situação como essa. “(Cair por conta de uma convulsão) é raro. É bem difícil”, disse.

Segundo o neurocirurgião, a epilepsia, na essência, é um distúrbio elétrico do cérebro. Essa deficiência na passagem dos impulsos elétricos é o que causa as convulsões. Segundo Borba, esses problemas na passagem das ondas elétricas podem acontecer em diferentes partes o que pode causar diversos tipos de convulsões. “Por exemplo, se acontece na área motora, vai afetar a movimentação da pessoa”, explica.

“É efeito de uma região do cérebro funcionando de forma anárquica”

O tratamento

Segundo o neurocirurgião, o tratamento é feito em várias partes com o intuito de “evitar um curta-circuito de um fio desencapado”. O principal tratamento é controlar os disparos anônimos das áreas do cérebro, dessa forma evitando as crises. “Os remédios aumentam o linear convulsivo. Protegem as pessoas de que a convulsão aconteça”, afirma.

Em alguns casos específicos, a epilepsia pode ser causada por alguma lesão advinda de uso de drogas ou acidentes. Quando a doença vem dessa forma, pode-se haver a opção de se retirar a lesão por meio de cirurgias complexas. “Você pode remover uma parte do cérebro e isso vai significar um ganho para o paciente”

“Uma pessoa que sofre crise pode cair no chão e se machucar”.

O médico explica que as medicações são mais caras e por isso de difícil acesso. Ele alega que esse fato faz com que as pessoas usem medicamentos alternativos. Além disso, Borba explica que, no Brasil, poucos centros públicos são capazes de lidar oferecer um bom tratamento para os epiléticos bem como oferecer a execução das cirurgias. “O tratamento envolve medicação que, não raro, são mais caras. Além disso, às vezes precisa-se lançar mão de exames mais complexos e cirurgias”, elucida e acrescenta, “são poucos centros no Brasil que têm capacidade de prestar assistência completa”.

Em Brasília

A Secretaria de Saúde do DF respondeu que as opções de tratamento em Brasília variam de acordo com o grau de epilepsia do paciente. Segundo eles, o tratamento é disponível na rede SES “desde a atenção primária até a alta complexidade”. Os pacientes com epilepsia refratária são atendidos no HBDF e no HRS e os exames de eletroencefalograma estão disponíveis no Hospital Regional de Sobradinho, Hospital Regional da Asa Norte, Hospital Regional de Taguatinga, Hospital Regional de Ceilândia, Centro de Orientação Médico Psicopedagógica e Hospital de Base do Distrito Federal. Os medicamentos podem ser encontrados em postos de saúde e existem projetos educacionais para informar sobre a doença como palestras de divulgação sobre o protocolo em todas as sete Superintendências de saúde, com foco na atualização e capacitação dos médicos da atenção primária.

Confira passo a passo de como lidar com crise.

André Borba adiciona algumas recomendações com o sentido de prevenir o que aconteceu com o jovem João Pedro Braga. Em primeiro lugar, seguir o tratamento e tomar os remédios de forma correta; em segundo, evitar bebidas alcóolicas e drogas; e respeitar as horas de sono recomendadas para a idade.

“Isso acontecia em qualquer lugar”

A estudante de medicina Tainá Bueno descobriu que tinha epilepsia com 12 anos de idade quando desmaiou pela primeira vez. Nessa mesma noite, foi o dia de sua primeira convulsão. No dia seguinte, ela acordou com dores no corpo, porém sem entender muita coisa. Foi então que ela decidiu consultar médicos em São Paulo e recebeu o diagnóstico de epilepsia. Na família, ninguém nunca teve epilepsia. “Eu tive um choque porque eu era muito nova e eu tinha um sintoma em que eu me sentia muito estranha e esquisita. Eu precisava abraçar alguém. Precisava ter alguém comigo. Isso acontecia em qualquer lugar”, lamenta.

Ela sentia muita vergonha de contar sobre a doença para as pessoas. Hoje, diz já ter melhorado esse aspecto. Tainá já viveu crises como essa na escola. Ela conta que nunca sofreu preconceito por parte dos amigos, mas viveu uma situação em que seu professor acusou-a de estar tentando colar em um momento de crise em que ela precisou abraçar uma amiga durante uma prova

“É um tabu achar que se você for numa festa e tiver luz você vai desmaiar”, reclama.

Ela conta que algumas das limitações é não poder ingerir álcool em excesso e que o remédio que ela usa corta os efeitos da pílula anteconcepcional, por exemplo. Video games e Televisão em excesso também são vetados, porém ela lembra já ter praticado ambos em excesso e nunca teve nenhum efeito. “Com luzes, inclusive em festas, nunca tive problemas”

“Eu acho que quem tem epilepsia tem que viver a vida naturalmente”, admite

“Neurologia foi sempre uma vontade minha para eu poder entender mais sobre mim”, disse. Tainá estuda medicina e tem vontade de estudar neurologia para conhecer mais da sua doença e para tentar entender o significado de ninguém ter epilepsia na família, com exceção dela. Ela admite que no curso, muitas portas e interesses pelas diversas áreas se abrem, porém confessa ainda ter vontade de estudar nessa área.

por Bruno Santa Rita

por Rebeca Santos

*Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *