Na Feira da Torre, baianos vendem de acarajé a pamonha

Na barraca da Vanderleia Sampaio não tem acarajé e sim uma comida simbólica do estado de Goiás, a pamonha. No entanto, ela é baiana e saiu da pequena Itagibá (15 mil habitantes) em 2002 rumo ao DF para procurar trabalho. “A expectativa de lá é muito ruim, lá não tem trabalho, aqui é bem melhor (…) Vim para cá pelo futuro dos meus filhos”.

A itagibense lamenta deixar família em sua terra natal, no entanto diz que não voltaria pelo tempo que já vive na capital: “Meus filhos não vão querer (voltar) e eu já criei um vínculo aqui, já são 15 anos em Brasília”.

Segundo a Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal) 52,15% da população imigrante do DF é natural da região do Nordeste. A pesquisa responsável por esse dado é a PDAD (Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios), feita em 2015.

A região nordestina é disparada a maior origem dos imigrantes que chegam ao Distrito Federal, com um percentual duas vezes maior que o da região Sudeste (com 26%, em média um a cada quatro imigrantes).

Michael Monteiro, de 33 anos, saiu de Caravelas no litoral sul da Bahia e há 30 anos veio para Brasília buscar trabalho. Sua família se mudou para cá, e ele vende acarajé (comida típica baiana) na Feira da Torre. Ele volta para sua terra uma vez por ano. “Lá é bom para morar e ruim para trabalhar, o contrário daqui”. Ele explica que, sua terra natal é um lugar encantador e com custo baixo de moradia, porém na capital é muito mais fácil conseguir ganhar dinheiro. O caravelense ainda gostaria muito de retornar algum dia: “Sonho em voltar para lá e montar uma pousada”.

 

De acordo com a psicóloga Vera Lúcio, quando uma pessoa deixa sua terra natal, a forma como ela vai se lembrar, depende do que viveu na cidade em que nasceu. “Podem ser boas lembranças, o que vai gerar saudades, ou más, o que pode gerar alívio.” A migração pode então causar vários efeitos, positivos e negativos. “Vai depender do motivo. Uma mudança grande como esta vai gerar ansiedade, insegurança, e pode levar também a depressão ou só tristeza. Dependendo dos benefícios da migração, os efeitos negativos podem ser minimizados e vai ter valido a pena, pois são novas oportunidades, conhecimentos, convívio social e portanto crescimento.”

A nordestina Raquel Alves tem 27 anos, saiu do município de Xique Xique no interior da Bahia e chegou ainda criança ao DF. “Cheguei com dez anos. Minha mãe saiu para tentar uma vida melhor e aos pouquinhos foi trazendo os filhos”. Ela não sonha em voltar, mas sente muita falta da época mais festiva do ano: “Do carnaval! Né? Aqui, para mim, não tem carnaval… Lá é muito bom!(risos)”

 Por José Gustavo
*Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira
 

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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