Mais acesso à informação tem alterado hábitos alimentares, explica nutricionista

A tendência de uma alimentação saudável conquistou os brasileiros. As comidas fit, como são chamadas, ganharam o paladar de quem mudou os hábitos na hora de comer. Entre as razões para homens e mulheres optarem por produtos orgânicos, balanceados e funcionais está a inspiração de influenciadores do mundo digital. Mas não é só isso. Para a nutricionista Cinndy Wanzelle, o maior acesso à informação também contribui para a mudança de hábitos. As pesquisas confirmam o que os especialistas percebem: segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), a população é a mais saudável do mundo quando escolhe os produtos em estabelecimentos comerciais.

Enquanto o ômega 3 (gordura encontrada em alguns peixes, por exemplo, que traz benefícios à saúde) está presente em 60% das refeições brasileiras e os orgânicos correspondem a 49%, a média mundial é de 40% e 46%, respectivamente. E na comparação entre homens e mulheres, elas são a maior parte desse público que busca por alimentos com ingredientes e dietas mais balanceadas.

A analista de sistemas Dany Querema, 44 anos, decidiu mudar a alimentação após um acidente com o pé que lhe deixou impossibilitada de praticar exercícios. “Quando isso aconteceu, me vi em uma situação onde eu mudava minha alimentação ou voltava a engordar”, contou.

Dany começou a mudança nos hábitos alimentares a partir de dicas de nutricionistas e nutrólogos que compartilham conhecimentos pelas redes sociais. “Quando comecei a emagrecer apenas pela alimentação, decidi implantar os bons hábitos alimentares em minha vida. Além da estética, melhorei minha saúde e minhas consultas por problemas de saúde diminuíram drasticamente”, ressaltou.

Victoria Faria lanchando guacamole feito com abacate, limão, tomate e sal, acompanhado por biscoitos de arroz

A estudante de nutrição Victoria Faria, 17 anos, também mudou a rotina. Antes de enfrentar novos hábitos, ela não tinha restrições em sua alimentação. Segundo a universitária, quando criança chegava a comer fast food até três vezes na semana. Após problemas de saúde, decidiu praticar atividades físicas e melhorar a qualidade do que come. “Antes, minhas motivações eram estéticas, então eu achava que comer batata doce com ovos resolveria. Depois de me consultar com algumas nutricionistas, percebi que era muito mais do que aquilo. Percebi que precisava ter um estilo de vida saudável para ter um futuro saudável”, destacou.

Segundo a nutricionista Cinndy Wanzelle a maior procura no consultório é por pessoas que querem melhorar a alimentação por motivos estéticos ou pacientes que estão doentes e são encaminhadas pelos médicos. “Essas doenças crônicas são consequências de um estilo de vida inadequado. Então, realizar a troca de alimentos não saudáveis por aqueles que possuem nutrientes é oferecer  ao corpo o que ele realmente precisa”, esclareceu. Ela reforçou, ainda, que a atividade física é imprescindível e, em conjunto com uma boa alimentação, formam a união certa.

Quem também enfatiza a importância da atividade física é o educador físico e nutricionista Edilson Nascimento. Segundo ele, a prática de atividades físicas proporciona o ganho de massa magra e muscular, além de controlar os índices de colesterol e diabetes. “Um iniciante deve começar com exercícios físicos de cinco a sete vezes por semana, variando de 30 minutos a uma hora, com exercícios aeróbicos e de sobrecarga. É importante respeitar os limites do próprio corpo e, em caso de dores e lesões, é necessário interromper os exercícios e procurar um médico” reforçou.

Apesar da tendência de alimentos saudáveis, o número de pessoas acima do peso cresce, segundo o Ministério da Saúde. No Distrito Federal, a obesidade atinge 16,7% da população. No dia 22 de maio, uma das metas ressaltadas pelo Ministro da Saúde foi deter o crescimento na obesidade da população adulta até 2019.

O crescimento no mercado

Uma pesquisa da agência americana Euromonitor aponta que o Brasil é o quinto maior mercado de alimentos do gênero. Nos últimos anos, o comércio de alimentos saudáveis têm investido nesse setor, como é o caso de uma rede de lojas de produtos naturais no Distrito Federal e em 24 estados brasileiros.

O CEO da empresa, Charles Martins, 36 anos, confirma a procura dos comerciantes por ingredientes saudáveis. Segundo ele, em 2016 a rede faturou 12% a mais se comparado a 2015. Ele contou que a empresa continua com o ritmo de crescimento do faturamento.

Charles reforçou que o público é formado por pessoas que adotam um estilo de vida saudável, por aquelas que seguem dietas da moda, praticantes de atividades físicas, além de quem possui algum tipo de restrição alimentar ou são veganos e vegetarianos.

Por: Thaís Batista

Sob supervisão da professora Isa Stacciarini

 

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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