Geração Baby Boomer envelhece lutando pelos seus direitos

Eles nasceram nos pós-guerra. O mundo estava em reconstrução depois de tanto sofrimento durante a segunda grande guerra mundial, 1939-1945. São filhos dessas as mulheres que foram para o mercado de trabalho enquanto os homens estavam nos campos de batalha.  São chamados Baby Boomer exatamente pelo boom de bebês nascidos a partir dos tratados de paz.

 

 

Essa geração rompeu barreiras e buscou uma vida mais colorida, mais alegre. Curtiram Beatles e Rolling Stones, dançaram e cantaram o rock e as baladas românticas de Elvis Presley. Promoveram o movimento Hippie com sua power flower pregando o amor livre.  Nos anos cinquenta vestiram o biquíni e a moda revolucionária da minissaia na década seguinte. Os pais com hábitos e costumes de outra época, não entendiam e não aceitavam essa nova “Era de Aquário” que seus filhos anunciavam buscando seu espaço próprio.

Nessa busca por suas identidades nesse novo tempo, acabaram por definir outros modos de vida e criaram recursos para chegarem onde queriam. Essa geração desenvolveu os computadores, os smartphones com Bill Gates e Steve Jobs, por exemplo. Num tempo em que a TV estava começando, revolucionaram os meios de comunicação e integraram o mundo com a internet. Ricardo Ghirlanda, 67, veio do Rio de Janeiro para Brasília ainda muito jovem. Trabalhou na antiga Telebrás “desde os tempos do telefone com disco”. Hoje usufrui  muito do que ajudou a desenvolver. “Uso pesado a Internet, as redes sociais mais que o normal e os celulares como imaginei que seriam”, ele conta relembrando seus tempos na empresa, e completa “ cumpri meu papel, minha missão. Chance agora para a geração seguinte” .

Batalhadores por novos espaços, também criaram uma maneira de se relacionar e comunicar com novos termos, gírias que ainda usam com seus amigos, ou como preferem chamar, suas tribos. Mas a luta por espaço e direitos não acabou com a chegada da velhice. Eles são tão diferentes da geração anterior que também ganharam um novo nome: gerontolescentes, tal a vitalidade com que chegam a faixa etária que os classifica como idosos. Em centros como Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba optam por morar em repúblicas como nos tempos da faculdade.  Esses novos “coroas” andam de moto, saem para baladas, viajam e moram sozinhos e muitos ainda trabalham. As mulheres assumem seus cabelos grisalhos e os homens usam cremes, coisas impensáveis há alguns anos atrás. Ghirlanda por exemplo, conta que continua “preferindo moto a outros meios de transporte. Diminuí o tamanho dos barcos que tive para um kayak e voltei a andar de bicicleta”.

A educação de hoje não é como a de antigamente quando se cedia o lugar para os mais velhos. E muitos desses revolucionários grisalhos continuam brigando por seus direitos. Mas as conquistas vão chegando aos poucos. A lei nº 5.984, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal no dia primeiro de setembro último, institui que todos os assentos de veículos públicos são prioritários para idosos, gestantes e mães com criança de colo.  Ricardo Ghirlanda se entristece com a falta de foco dessa nova geração e se incomoda com “a total, absoluta falta de respeito pelo sagrado, pelo educado, pelo direito, pelo bem alheio, pela nossa língua e gramática, pela história… “ Sobre os direitos adquiridos com a idade ele usufrui “ das filas preferenciais e das vagas para estacionar, quando os da geração seguinte permitem” se referindo aos que não obedecem a sinalização. Jipeiro e motociclista ele curte a vida, não só em Brasília, mas nas estradas em viagens sentindo o vento no rosto.

 

 

João Carlos Cataldi, 65 , conta que “hoje em dia, uma pessoa de 60 anos não é mais aquela de 60 anos de quando eu era jovem. São pessoas mais dispostas.” Ele acrescenta que nota a impaciência dos mais jovens quando precisam dar a vez aos idosos. Para João Carlos esse é um problema cultural no país. Afirma que “a lei existe, e a lei para ser aplicada no Brasil é muito difícil. Ninguém respeita”

Mesmo assim ele acredita que há muitos benefícios. Um deles é a credencial de vaga preferencial para idosos a partir de 60 anos, pois 5% das vagas são destinadas a esse público. Isso é o que garante a Resolução 303 do CONTRAN, de 18 de dezembro de 2008. Para obtê-la é necessário solicitar o documento nos postos do Detran-DF, exceto na sede, na Asa Norte e no setor de cargas. Os documentos necessários são original e cópia da carteiras de motorista ou identidade e pagamento de uma taxa de R$ 30.  Se o idoso não dirigir e for o passageiro, para ter o direito,  deve ser o proprietário do veículo.

Outro benefício é a passagem de ônibus gratuita para idosos nas linhas interestaduais. Para isso, o idoso deve ter renda mensal igual ou inferior a dois salários mínimos. A empresa de ônibus deve disponibilizar sempre duas vagas gratuitas reservadas em veículos de classe convencional para quem se encaixa nesse perfil. Essa Resolução 1.692, da ANTT é de 24 de outubro de 2006. Para solicitar esse direito é preciso apresentar ao funcionário da empresa um documento original com foto ou a carteirinha especial fornecida pelo governo da cidade onde mora. Caso as duas vagos estejam ocupadas, o idoso terá direito de , pelo menos, 50% no valor da passagem normalmente cobrada. Ainda sobre ônibus é importante lembrar que idosos tem 100% de gratuidade em área urbana.

Em julho deste ano o presidente da República, Michel Temer, sancionou a lei nº 13.466, que altera o Estatuto do Idoso, (Lei nº 10.741 ), estabelecendo prioridade especial para as pessoas com mais de 80 anos. De acordo com o texto que passou a vigorar, eles sempre terão suas necessidades atendidas com preferência em relação aos demais idosos.

O Estatuto atribui ao Poder Público diversas responsabilidades como a assistência preventiva, protetiva e de recuperação pelo SUS, incluindo a geriatria como especialidade clínica. Também prevê a adequação de currículos e conteúdos voltados para o processo do envelhecimento, de maneira a “eliminar preconceitos”, programas específicos de ensino destinados aos idosos e uma universidade aberta para a chamada “terceira idade”.

Outros direitos são referentes ao trabalho impedindo “a discriminação do idoso, no setor público e privado; programas de preparação para a aposentadoria com antecedência mínima de dois anos antes do afastamento; atendimento prioritário nos benefícios previdenciários”. Uma questão importante é o apoio jurídico ao idoso coibindo abusos e lesões a seus direitos. Sob o ponto de vista da mobilidade e conforto o Estatuto ainda destaca a importância da adaptação arquitetônica e urbanística de maneira a facilitar o acesso à moradia e a diminuição das barreiras arquitetônicas.

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Por Zilta Marinho e Claudia Sigilião

Imagens por Gabriel Lima e Bruno Santa Rita

Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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