Feira dos goianos: lembranças mais próximas de casa

O vendedor de roupas femininas João Batista Henrique dos Santos, 28 anos, mora há sete meses em Brasília e trabalha na Feira dos Goianos, localizada em Taguatinga. Ele se mudou, juntamente com a irmã, de Damianópolis (GO) para Brasília justamente pelas oportunidades que poderiam surgir na capital. O goiano João descobriu a feira que o fazia recordar a terra natal. Sobre as lembranças de Goiás, sobra saudade. “Eu lembro dos frutos, porque eu fui criado bem no interior né, fui criado na roça como diz”. O vendedor de roupas conta que gosta muito de Damianópolis e que sonha em voltar para lá.

De acordo com dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), em 2015, pelo menos 18.395 pessoas vieram de Goiás para Taguatinga, o equivalente a  8,26% de todos os imigrantes que se mudaram para aquela cidade. Assim como João, outras goianos encontraram no espaço o local de trabalho, ainda que não sejam maioria.

A feira foi criada em 1998 por comerciantes de Goiânia. O local, hoje, possui galpões com mais de 3 mil lojistas em 950 lojas. Apesar do nome, de acordo com relatos de vários trabalhadores de lá, a maior parte dos lojistas são nordestinos, e os que são de Goiânia não se mudaram para Brasília, somente deixam as confecções na feira. A Feira dos Goianos conta com os mais diversos produtos, dando destaque às roupas e acessórios femininos e infantis, com um preço acessível.

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Entrevistado que se identificou apenas como Marco Antônio, de 17 anos, se mudou de Anápolis (GO), com seu pai, há 13 anos. Ele é também vendedor de roupas na Feira dos Goianos. Marco conta que o pai se mudou em uma época que Brasília “estava dando dinheiro”, mas que a partir de “um certo tempo”, não era “aquela coisa toda que ele estava achando”, explica o adolescente. Em 2018, Marco Antônio pretende voltar para Anápolis, pois é uma cidade boa e que não tem tanto perigo quanto Brasília. “Aqui não é meu lugar, lá [em Anápolis] que é”, declara.

Goiano na torre

João Orlando Siqueira, 63 anos, se mudou de Goiatuba (GO), para Brasília há 42 anos. Ele foi trabalhar na Feira da Torre. Ele era militar da Aeronáutica e foi transferido para capital do país, onde serviu por quatro anos. Atualmente, João vende picolés e sorvetes na praça de alimentação da feira. O comerciante recorda a dificuldade que teve no início na capital, pois “era sozinho e não conhecia ninguém”. Sobre saudades, ele comenta que sente falta do fruto gueroba (também conhecido como guariroba) e do pequi. “Lá andava a cavalo, comprava leite e levava para a roça”.  João Orlando, apesar das lembranças, afirma que não tem vontade de voltar para morar na “terra natal”. “Só passear uma vez por ano”.

Por Kelly Wollmann

*sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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