Conic: vendedor vira ator e assume identidade de “vampiro”

Vlad Thepes é o nome artístico de um dos vampiros, como prefere ser considerado, que vive em Brasília. Vendedor de uma loja de discos no Conic, em Brasília, ele assumiu esse personagem há cerca de 10 anos levando cada vez mais a sério no cotidiano seu estilo vitoriano e gótico. “Já se tornou parte da minha personalidade”, relata. Inclusive, adicionou dois dentes em odontólogo para que o personagem viva com ele o dia inteiro.
Tudo começou há 10 anos atrás, em 2007, quando decidiu criar um grupo teatral para encenar peças vampirescas juntamente de apresentações de teatro do invisível. Esta que consiste na encenação de um roteiro em um local que não é um palco teatral, diante de uma plateia que não está ciente da apresentação artística.
Vlad conta que já foi alvo de preconceito e até de ameaças, pois as pessoas olham os vampiros como seres estranhos e macabros. Mas não é nada disso. Para Vlad, são seres elegantes, gentis e educados. Além do mais, ele deixa claro que são poucas as pessoas que olham feio, a maioria gosta, quer conhecer e até pede para tirar fotos. Para mostrar que essas pessoas estão enganadas e desconstruir o preconceito, Vlad e seu grupo de vampiros promovem constantes campanhas de doação de sangue. “Qualquer pessoa que tem um pingo de caráter se preocupa com o próximo”, diz.
A inspiração para manter essa vida vampírica veio da filha do Zé do Caixão, Liz Marins, que fez do dia 13 de agosto o dia dos vampiros. Além de ser um dia que tem como objetivo o combate à discriminação da diversidade artística, é também um dia onde a comunidade se junta para doar sangue.
Local de Trabalho
Em um corredor estreito e extenso no Conic, localizado no setor de diversões sul, a música que vem de uma das várias lojas chama atenção. A loja Berlin discos, onde o vampiro trabalha há 7 anos, é a segunda loja de discos mais antiga de Brasília, tendo sido aberta em 1989.
A loja pertence a Reinaldo Freitas, de 58 anos, que deixa claro que quer trabalhar com música, mesmo sabendo que a internet e os aplicativos de streaming de música, como Spotify e Apple Musics ameacem o mercado físico musical e atrapalhem o seu negócio. O estabelecimento vende diversos produtos, como CD’S, discos de vinil, camisetas de bandas, bandanas, adesivos, DVD’s de shows, relógios temáticos, quadros e pôsteres.
Reinaldo afirma que todos os anos enfrentam crises novas nesse mercado, mas mesmo assim ele sempre conseguiu superar elas. Além do mais, o dono também conta que nos últimos anos o que alavancou as vendas foram os discos de vinil. Ele relata que, por mais que alguns colecionadores estejam com o pé atrás, existem muitos outros colecionadores e  jovens procurando, mesmo que seja apenas para decoração.
“Eu gosto do processo de pegar o disco de um artista e ler qual ano e em qual estúdio aquele vinil foi lançado, faz parte de todo um ritual. Além do mais, hoje se perde muita qualidade musical com as compressões feitas pelos arquivos em MP3, quem realmente gosta de música, tem que ouvir pelo menos uma vez”, explica Reinaldo Freitas.
Ao ser questionado sobre como é ter um vampiro trabalhando em sua loja, Reinaldo conta que acaba atrapalhando em alguns casos, com os clientes mais conservadores, porém em grande parte ajuda, afinal, não é comum ver um vampiro trabalhando por aí.
Por Ian Salmi

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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