Como a soja se desenvolveu no Cerrado, mesmo em meio ao clima seco

O clima seco do Distrito Federal poderia ser um problema que desestimularia a plantação de soja no cerrado. No entanto, pesquisadores da área ajudaram a viabilizar a produção. Até a década de 1.960, a pesquisa sobre soja no Cerrado não existia, já que os materiais eram mais adaptados para o Sul do Brasil (Embrapa Soja criada no Paraná). Em busca do desenvolvimento do país, o governo quis estimular a agropecuária no Centro-Oeste, região que ainda estava em crescimento na época.

Conforme explica o pesquisador da Embrapa André Ferreira, há uma “grande preocupação” dos produtores rurais com a conservação do solo. Para isso, são utilizadas tecnologias como o plantio direto, que contribui para o avanço dos cultivos, e a calagem, um ajuste de fertilidade para culturas exóticas que começou nos anos 70/80.

Segundo a Embrapa, o plantio direto é um sistema de manejo do solo em que o cultivo é mantido sempre coberto por plantas e resíduos vegetais, buscando diminuir o impacto das máquinas agrícolas. Já a calagem busca corrigir o pH do solo e  fornecer suprimento de cálcio e magnésio para as plantas, objetivando um desenvolvimento satisfatório das culturas.

O pesquisador ainda afirma que não é necessário utilizar adubos artificiais para o plantio da soja devido à natureza dessa planta e que, portanto, o Brasil economiza bastante com esse tipo de agricultura.

A soja tem capacidade de fixação biológica do nitrogênio (bactérias mantém ciclo de nutrientes), ou seja, não há necessidade de utilizar nitrogênio artificial. Esse processo traz benefícios para o solo e permite uma economia de 12 bilhões para o país, uma vez que não há gastos com o adubo artificial.

Para o então desenvolvimento da agricultura, a Embrapa iniciou um cultivo adaptado para o Cerrado. Entretanto, conforme o secretário de Meio Ambiente, André Lima, o plantio de soja é o que mais mata o Cerrado atualmente. “O Brasil hoje é um dos maiores produtores de soja do mundo em função de investimento em tecnologia de produção no Cerrado”.

Gastos

Para produção de um quilo de soja são utilizados aproximadamente 1.800 litros de água, o que já levou vários rios locais a secarem. Além disso, a Campanha Internacional de Florestas do Greenpeace aponta a soja como principal vetor da destruição da Floresta Amazônica no Brasil, reforçando também, o problema do desmatamento

No DF, as áreas de milho, de soja e de feijão correspondem a mais de 122 mil hectares plantados, que rendem 597.918 toneladas desses grãos. De acordo com o pesquisador André Ferreira, da “Embrapa Cerrados”,  a plantação de soja no Brasil ocupa 32 milhões de hectares, o que gerou um alto investimento financeiro para a sua implantação. O Brasil é um país agroexportador e a China é o maior consumidor e comprador mundial de soja. Portanto, há um bom tempo, há uma grande demanda para a produção de soja no país.

“Há 50 anos ninguém acreditava que era possível produzir soja no Cerrado, por causa da acidez do solo. A Embrapa investiu milhões [para essa atividade]”, afirma o secretário do Meio Ambiente.

Por Ana Karolline Rodrigues e Malu Burlamaqui.

Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

One thought on “Como a soja se desenvolveu no Cerrado, mesmo em meio ao clima seco

  • Agencia de Noticias Uniceub

    (23 de junho de 2017 - 17:20)

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