Voluntária no Iraque explica impacto da guerra para as crianças

Voluntários da ADRA prestam serviços de saúde para crianças sírias e afegãs refugiadas no Iraque

A vontade é de ajudar ao próximo aonde quer que seja. Quando se pensa em refugiados, são cerca de 65,6 milhões de pessoas forçadas a deixarem suas casas, segundo “Relatório de Tendências Globais” da Agência da ONU para Refugiados (Acnur). Foi por isso que a jornalista e voluntária peruana d’A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), Carolyn Azo, decidiu iniciar sua jornada missionária.

Confira trecho da entrevista com a voluntária Carolyn Azo:

 

Inicialmente, seu destino foi o norte da Grécia, onde teve o primeiro contato com as crianças refugiadas. O trabalho da ONG consiste em dar suporte à saúde física e psicológica das crianças afetadas pela guerra do Iraque e entregar roupas de frio para as mesmas. Carolyn, porém, realiza um trabalho voltado para a área de comunicação, produzindo fotos, vídeos e matérias com as pessoas com quem trabalha. “Com isso, eu incentivo as pessoas a fazerem doações”, explica.

Ela afirma que sua experiência na Grécia foi uma quebra da realidade. Quando a jornalista parou para refletir sobre a realidade dos refugiados, ela percebeu que a desigualdade é muito grande. “No Ocidente, as pessoas têm tudo, com algumas exceções, é claro, mas lá as necessidades são muito maiores que as nossas. Elas só tem a vida”, lamenta.

Não foi fácil. Logo nos primeiros dias, Carolyn, ao ouvir as histórias das crianças, não suportou e teve que se separar do grupo para chorar. Foi quando um de seus companheiros voluntários deu suporte a ela e a motivou a ser forte e ajudar aquelas pessoas. “Essas histórias marcaram a minha vida. Eu respirei, saí e continuei fazendo meu trabalho lá”.

A segunda parte da viagem foi no Iraque. Lá, segundo ela, as coisas eram bem mais difíceis. Hospedada no Curdistão, no acampamento “Hasan Shami U2”, ela acordava cedo, fazia suas rezas e pegava o carro que levava os voluntários para Mossul, onde eram feitos os atendimentos médicos e psicológicos às crianças. O choque da realidade veio quando a van deixou as fronteiras do Curdistão. A paisagem muda de um cenário “ocidental”, com prédiso altos e “BMWs”, para um cenário de desolação e guerra. “Existem casas minadas que o exército não nos deixa entrar. Muitos carros abandonados, cheios de pó, que as famílias deixaram para trás”.

“Lidar com crianças é algo muito interessante”, afirma. Ela explica que o que mais chamou a atenção foi o fato de as crianças serem muito fortes. Segundo ela, as histórias ruins que ouviu são tantas, que ela poderia “montar um livro”. “Eu ficava muito surpreendida porque elas são muito fortes e resistentes. Elas já viram tanta coisa ruim, pior do que nós. E elas estão correndo, brincando. É impressionante”, se emociona ao contar.

As crianças logo criaram empatia por Carolyn, que conta que os pedidos pelas fotos nunca cessavam. “Quando eu caminhava para tirar fotos com elas, elas gritavam ‘sur’, que é foto em árabe. Elas vem, te abraçam, querem estar junto com você”, comenta. Segundo Carolyn, não há o menor arrependimento de ter se inserido no trabalho voluntário.

“Eu vi que só o fato de estar com elas, de brincar com elas, era mais um sorriso nos rostos deles. Eu fiquei contente de ajudá-las”

Independência do Curdistão

O clima do local é de agitação. O movimento de independência dos curdos (que já existe há longa data) foi um dos motivos do fechamento das fronteiras com o Iraque, além do embate com o Estado Islâmico. Foi isso que obrigou Carolyn a voltar para o Brasil. Segundo ela, com as fronteiras fechadas, o atendimento médico às cidades do Iraque fica impossibilitado. “Nossos voluntários receberam o direcionamento de suas respectivas embaixadas para que abandonassem o país (Curdistão)”.

Segundo o historiador Virgílio Arrais, a independência do Curdistão já foi tentada outras vezes. Para ele, os motivos são primeiramente políticos (fato de os Curdos serem uma etnia grande, com cerca de 30 milhões de pessoas) e, em segundo lugar, econômicos, pois o Curdistão é mais rico que o resto do Iraque. “Eu vejo uma questão política vinculada ao nacionalismo. O curdistão é a maior nação sem soberania”, afirma.  

“A maior comunidade dentro do oriente médio não tem seu próprio país”

O Estado Islâmico (ISIS)

Segundo o historiador, os jihadistas tendem a enfraquecer com a independência do Curdistão, uma vez que os curdos fazem oposição ao ISIS, a nova nação teria sua constituição pautada contra os terroristas. “Os curdos são oposição, isso diminuiria a possibilidade de uma eventual área para o Estado Islâmico se instalar”, explica. A embaixada do Iraque não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação da matéria.

Por Bruno Santa Rita e Giovanna Pereira

Imagens de vídeo por Melquizedequi Lopes

*Sob supervisão de Katrine Boaventura

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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