HPV: Vacinação ainda é abaixo do esperado

A vacina contra o HPV (vírus do papiloma humano) está disponível há um mês na rede pública de saúde, mas a procura ainda está abaixo da estimativa da Secretaria da Saúde do DF. De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, apenas 1,2 mil meninas se vacinaram contra o vírus. A expectativa do GDF é imunizar aproximadamente 22 mil jovens até dezembro. O HPV é o principal causador do câncer de colo do útero.

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Segundo a gerente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Secretaria de Saúde, Cristina Segatto, 89 mulheres entre 25 e 59 anos morreram com doenças relacionadas a câncer do colo de útero entre 2012 e 2013. A gerente ressaltou que a vacina pode evitar mortes. “Ela faz a prevenção do colo do útero. São quatro vírus, que são inseridos na vacina e que protegem contra o câncer mais permanente no colo de útero”, ressaltou a gerente.

A vacina neste ano é voltada para as meninas de nove anos e para as de 10 e 13, que iniciaram o combate contra a doença no ano passado. A campanha deve durar o ano inteiro. Segundo a Secretaria de Saúde, a vacina tem efeito em mulheres de nove a vinte-e-seis anos e quanto antes melhor.

Imagem: Ascom
A gerente da Vigilância Epidemiológica e Imunização da Secretaria de Saúde, Cristina Segatto, reforçou a importância da vacinação. Imagem: Ascom

O Ministério da Saúde disponibilizou quarenta-e-cinco mil doses para o Distrito Federal.  Os pais devem levar as meninas à unidade de saúde da rede pública mais próxima de casa, com o cartão de vacinação e um documento que identifique a criança, para a aplicar a primeira dose. O mesmo processo deve se repetir para receber a segunda dose em setembro, e a terceira daqui a cinco anos.

Efeito colateral

A gerente reforçou que é raro qualquer efeito colateral. Até o momento ocorreram apenas alergias. Segundo a profissional, em 98% dos casos não houve qualquer problema. Ela ainda reforçou que, se aplicada na infância, o risco de contaminação é quase nulo.

A gerente explicou que qualquer vacina, desde as mais simples como a contra paralisia infantil, pode apresentar reações adversas. A dor no local da injeção é a mais comum. A profissional disse que outras vacinas também provocam dores nesses pontos, como o antitetânico. Cristina Segatto reforçou que no Brasil  não foram registrados efeitos colaterais graves.

Os sintomas mais comuns de um efeito colateral são: dores no corpo, no local, de cabeça e  abdominal.

Entenda:

O que é o HPV?

O HPV é uma doença sexualmente transmissível (DST) e refere-se a um grupo com mais de 100 tipos de vírus diferentes, que podem infectar pele ou mucosas. Do total, 40 são capazes de contaminar o trato anogenital (referente aos órgãos genitais e ao ânus).

Como é transmitido?

A transmissão se dá por contato direto com a pele ou a mucosa infectada, principalmente pela via sexual, seja oral-genital, genital-genital ou manual-genital. Sendo assim, o contágio é possível mesmo se não houver penetração, e a camisinha é insuficiente para esse tipo de DST, já que o preservativo não cobre necessariamente a área infectada.

Quais são os sintomas?

O Instituto Nacional do Câncer informa que somente 5% das pessoas infectadas pelo HPV desenvolvem algum sintoma. As lesões, visíveis ou não, podem se apresentar como verrugas, algumas popularmente chamadas de crista de galo, cavalo de crista ou figueira. Nas mulheres, são comuns no colo do útero, na vagina, na vulva, na região pubiana, na perineal e no ânus.

Como prevenir?

A principal forma de prevenção é a vacina, acompanhada pelo exame preventivo conhecido como Papanicolau, para as mulheres.

A vacina evita todos os tipos de HPV?

A vacina aplicada pela rede pública de saúde é quadrivalente, ou seja, previne contra quatro tipos de vírus: 6, 11, 16 e 18. Segundo a gerente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Secretaria de Saúde, Cristina Segatto, mais de 90% dos casos de câncer de colo do útero são causados por esses vírus.

A vacinação contra o HPV estimula a relação sexual precoce?

Crianças tomam vacinas contra doenças sexualmente transmissíveis, inclusive, pouco depois de nascerem, como é o caso da Hepatite B. “Os pais nunca questionaram esse tipo de vacina, e o princípio é o mesmo”, esclarece Cristina Segatto. “Os pais são quem decidem se falam para o filho sobre as relações sexuais; a vacina não está ligada a isso.”

Informações: Secretaria de Saúde

Por Jade Abreu

Post Author: Editor Agencia CEUB