Vítima de skinheads na Ceilândia diz que é preciso manter luta contra fascismo; CDH acompanha o caso

“Em 2014, me atacaram de forma covarde, por trás e em bando na Asa Norte (Brasília) Consegui fugir. Em 2018, me atacaram novamente em um bloco de pré carnaval. Quebraram uma garrafa na minha cabeça e começaram a me bater”. Esses relatos são de um jovem grafiteiro de 22 anos que foi covardemente agredido por um grupo de skinheads  no último dia 16, em Ceilândia Norte. Segundo testemunhas, ele foi atacado pelas costas por dois homens que utilizavam pedaços de madeira para golpeá-lo na cabeça.  A vítima perdeu a consciência e parou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de um hospital público do DF. O artista ainda está hospitalizado aguardando alta, mas as feridas vão demorar a cicatrizar.  “Isso não vai me desencorajar. Recebi muito apoio de amigos e isso me deu mais coragem de seguir na luta contra o fascismo”.

O jovem agredido que não quer ser identificado, além de grafiteiro é um militante antifascista e tinha presença confirmada em uma ação social que ia acontecer em Ceilândia para conscientizar a população sobre a existência de grupos de ódio na cidade. Pichações racistas e homofóbicas apareceram nos muros da região, o que assustou os moradores. Rodas de debate, música e grafite eram as temáticas do evento marcado para o dia 18 de agosto. Por conta da violência com o grafiteiro, o evento foi adiado.

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF informou que acompanha o caso.  De acordo com a assessoria do deputado distrital Fábio Félix, presidente da comissão, os parlamentares buscam solucionar o caso. “Estamos acompanhando para garantir que esse crime, claramente motivado por ódio, seja solucionado. Também estamos prestando atendimento técnico à família, a fim de garantir que tenham acesso aos serviços necessários e tenham a proteção que o caso exige”, explicou a assessoria do deputado. 

A vítima confirmou que a CDH tem prestado assistência, que tem acompanhado a família e encaminhado as solicitações necessárias para a solução do caso. Por motivos de segurança, o artista, que está debilitado, precisará mudar seu endereço e arrumar um emprego que ele não fique muito exposto. “Eu trabalho de ambulante. Estou exposto a todo momento. Para eles (skinheads), me acharem, é fácil. Daí dei todas essas demandas para a comissão”, relatou o artista. 

Pichações racistas 

Antifa Durruti, de 25 anos, outro militante antifascista e grafiteiro que estaria no evento, disse que tentou impedir que as pichações dos skinheads fossem lidas por mais pessoas. “Desde 2017, na Ceilândia Norte, região próxima ao metrô, existiam pichações de cunho racista que anunciavam grupos de skinheads. Diante disso, decidimos cobrir as pichações deles. Três dias depois cobriram nosso boicote com uma nova pichação que pregava preconceito contra nordestinos na Ceilândia”, explicou Antifa Durruti. 

“Guerra no muro”: após inscrições xenofóbicas de skinheads, militantes antifascistas cobriram as palavras

“Então alguns de nós juntos com outros coletivos tramamos um evento denúncia para a comunidade sobre a conscientização da crescente desses movimentos contra as minorias. O evento ia ter roda de debate, mutirão de grafite, artistas do rap de brasília e dança”, detalhou Antifa Durruti. 

Às vésperas do evento, a expectativa era grande. “Um dia antes do evento acontecer, um companheiro nosso que passava pela região foi identificado por um grupo fascista e brutalmente agredido. Acabou sendo hospitalizado”, esclareceu Antifa Durruti

O antifascista lembrou que durante sua atividade política são inúmeras as brigas com grupos de skinheads no Distrito Federal. “São incontáveis as brigas de rua contra skinheads, carecas do brasil, carecas do subúrbio, white power e partidos de extrema direita. Já sofri atentados a facada, tiro e algumas vezes parei no hospital”, afirmou o militante.

Confrontos

Afinal, o que levou um grupo de skinheads a cometer uma atrocidade com o grafiteiro na Ceilândia? O jovem agredido é punk e integra uma comunidade de artistas antifascistas em Brasília. Historicamente, os punks prezam pela anarquia, liberdade e igualdade de oportunidades. “Eu sou punk, ando com outros punks então a gente sabe como eles agem. Agem em bando, de forma covarde. Querem exterminar o que eles julgam serem inferiores, como nordestinos, LGBTs, punks e negros. Não precisa nem se enquadrar em um desses grupos. Se a pessoa é antifascista, vira alvo também”, ressaltou o artista agredido. 

Recomeço 

Depois de ser covardemente espancado e hospitalizado, o grafiteiro abriu uma vaquinha com o objetivo de receber ajuda para custear os cuidados médicos. “Eu milito por uma causa. Então dou a vida por isso, por liberdade, igualdade e justiça para a sociedade”, lembrou o artista. 

Por Agência de Notícias UniCEUB

  • Conteúdo atualizado para acréscimo de informações

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção