Ex-governador do ES e presidente da OAB pedem mais diálogo com PMs grevistas

O ex-governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, criticou a falta de diálogo do sucessor, Paulo Hartung, com relação aos policiais militares, que entraram em greve no sábado (4/2). “A população está em prisão domiciliar”, afirmou em entrevista à Agência de Notícias UniCEUB. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Estado, Homero Mafra, também destacou o problema de gestão da crise de segurança pública e condenou a “quebra de braço” com a categoria. O governador disse, nesta quarta (8), que a população está sendo feita de refém.

Esposas de policiais anunciaram paralisação. Foto: Associação de Soldados e Cabos do ES

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Ex-governador: população está em prisão domiciliar. Foto: Wikipedia Commons / Foto pública

Para Casagrande, a violência presenciada pela população capixaba pode causar inúmeras consequências ao Estado, inclusive econômicas. “A imagem do Espírito Santo vai ser reduzida, o que prejudica o turismo e a atividade econômica como um todo. Imagina quanto a indústria, o comércio, já perderam por causa desse problema”, ressalta.

Segundo ele, é necessário observar as causas que levaram à crise. Ele aponta o ajuste fiscal nas contas públicas, a não observância das dificuldades dos órgãos do governo e a falta de diálogo com os policiais militares como os maiores incentivadores da greve no governo atual. “Sem diálogo e sem ajuste dos salários, a coisa explodiu”.

Mesmo que o Estado não tivesse condições de arcar com um aumento à categoria, Casagrande acredita que a atitude poderia ter sido evitada com diálogo e uma melhora nas condições de trabalho dos policiais. “O governo pode até estar em condições de não aumentar o salário, mas também não precisam cortar dessas áreas. Não se motiva o policial apenas com salário e sim com prestígio”. No entanto, o presidente da fundação lamentou a atitude da polícia. “É muito ruim porque nao é uma atitude contra o governo e sim contra a população capixaba”.

Para o ex-governador, a presença das Forças Armadas no Estado é indispensável. “Acho bom. Quanto mais militares, melhor. A população está com medo, é muito importante que os militares possam dar proteção a população”.

“Legítimo, mas ilegal”

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB/ES), Homero Mafra, considera que a greve dos policiais militares no Estado é legítima, mas fere a Constituição Federal, e, por isso, ilegal. Para ele, é preciso que o governo estabeleça maior diálogo com a categoria. “A gente vive um momento grave em que a polícia sai das ruas num movimento flagrantemente ilegal, pode até ser legítimo, mas é ilegal e nesse momento é preciso que haja conversa”. Mafra explicou que a entidade ainda não pretende recorrer à Justiça contra o Estado ou contra os grevistas.

“A postura da OAB é de pedir o retorno dos policiais às ruas e enfatizar o diálogo. Os policiais e esposas precisam entender que, com esse movimento, eles botaram em pauta um novo problema para os capixabas (elevado número de mortes e outros crimes em cinco dias de paralisação)”.  O presidente da entidade também condena o que chamou de “quebra de braço” entre governo e policiais militares. “A grande crise hoje, é de falta de policiamento. Nos últimos anos, o Estado vinha reduzindo o número de homicídios, mesmo continuando com números altos, houve uma redução (dados são do Mapa da Violência de 2016)”.

Homero Mafra lembra também, que o maior número de mortes registradas está localizado em bairros carentes de políticas públicas. “Essa violência de mortes, ela está normalmente localizada nos bairros periféricos da cidade. O interior viveu cenas que não se vive. Cachoeiro do itapemirim viveu cenas grotescas”, lamenta.

Confira abaixo, um histórico das greves de PM por todo o país:


Por Lucas Valença

Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Lucas Valença