Estudantes de escola no CE protestam após desabamento

Alunos e professores da Escola Estadual de Educação Profissional Maria Ângela da Silveira Borges, em Fortaleza, ainda estão com medo de voltar para a escola que teve parte da estrutura desabada no último dia 29. Não há previsão de volta às aulas. Eles têm realizado protestos por conta da situação.

Segundo alunos e professores que estavam presentes durante o ocorrido, já havia irregularidades na estrutura da Escola onde segundo professores a mesma estrutura que desabou em cima dos alunos já havia passado por reparo antes. O momento do incidente foi de total desespero e pânico de alunos e do corpo docente. Segundo a aluna Thainá Araújo, do 2º ano do curso de “Petróleo e Gás”, de 16 anos de idade, as salas de aula já apresentavam irregularidades, como goteiras e vazamentos durante a época de chuva.

“Na sala de aula, a gente já tinha esses problemas, muitas goteiras principalmente nessa época de chuva no Ceará e o teto desabava, o material era muito precário, logo mofava, caia e sempre tinha essas goteiras, já dava pra perceber parte do teto danificado um pouco inclinada pra baixo com indício de que ia cair.”

Segundo a aluna do 2º ano, as irregularidades na estrutura da escola eram notáveis, sendo mais notáveis dentro das salas de aula. Um de seus amigos foi um dos feridos durante o desabamento e além dos feridos houveram alunos pisoteados durante o momento de correria no desespero dos alunos, crises de pânico e medo entre docentes e alunos. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas no desabamento segundo a aluna e outros alunos e professores.

“Ferimentos leves com certeza, mas houve desmaios, pessoas com problemas psicológicos que sentiram muito forte, ataques de pânico, vários tipos de coisas, vários tipos de problemas mesmo”, disse Thainá Araújo.

“Tem muita gente que não quer voltar pra escola por conta do acontecido, teve uma menina que foi atendida por que estava com uma dor muito forte no coração por conta do susto, tem professor que está morrendo de medo de voltar pra escola por que viu a cena na frente dele, foi muito pesado.”

Outro aluno, Miguel Angelo, de 17 anos estudante do 2º ano de Mineração, também estava presente durante o desabamento e teve alguns de seus amigos feridos pelo o ocorrido, relata ele que espera que os responsáveis em arrumar as irregularidades apresentadas na estrutura da escola, tomem alguma medida.

“Tinha dois amigos meus e uma amiga, entre os dois amigos, um o teto caiu sobre a cabeça dele e o outro cortou o lábio e as costas, e minha amiga ela teve pequenas escoriações pelo o corpo.”

“Eu espero né que a estrutura seja revisada com segurança, e que tenha uma segurança para nós alunos e professores também, porque dessa vez não aconteceu nada, nada mesmo, só ferimentos, mas e da próxima vez se alguém morrer? Vai precisar alguém morrer pra eles tomarem uma providência? Por que assim não dá, caiu o muro primeiro depois caiu o teto da escola? E dentro das salas o teto vai caindo também por conta da chuva, o teto não suporta a chuva, o gesso molha e cai, ou seja, a gente precisa de uma estrutura melhor por que assim não dá”, disse Miguel Ângelo.

Nilton Cesar, de 16 anos, do 2º ano de “Administração” na Escola Estadual de Educação Profissional Maria Ângela da Silveira Borges foi uma das vítimas do desabamento, ele relata o medo e momento de pânico dos alunos na hora do incidente.

“O desespero foi muito grande porque eu estava abaixo do teto e eu corri, corri pra me salvar e na hora que estava correndo, muitas pessoas foram pisoteadas e eu ainda ajudei uma delas.”

Segundo o estudante, ele saiu sem nenhum ferimento, pois durante o ocorrido ele conseguiu correr e se salvar antes que caísse algo em cima dele, mas ele relata que muitas pessoas que estavam ao seu lado tiveram ferimentos.

Uma professora de 32 anos que leciona na Escola Maria Ângela, estava próxima ao local onde a escola teve parte da estrutura desmoronada e ela conta que a estrutura onde havia irregularidades era perceptível problemas no gesso, que já havia passado por troca a menos de um mês. “A gente estava numa reunião e assim que saímos da reunião, alguns professores se dirigiram para a sala dos professores e eu estava indo para a biblioteca e eu vi tudo muito de perto né? Eu vi quando caiu, eu estava a poucos metros de distância.”

A professora relata que ao ver tudo acontecendo, ela entrou em desespero e estava totalmente em choque. “Como eu vi que alguns alunos foram atingidos e recuei e comecei a gritar, chamar os professores pra começar a socorrer porque eu fiquei muito nervosa em estado de choque, e eu não consegui ir até lá né?”, disse a professora

A professora de educação física Manoela Ribeiro, de 33 anos, relata também que antes do acontecido a escola sempre apresentou problemas de infiltrações, caindo parte do gesso sendo algo bem comum desde quando a escola teria sido inaugurada. Ela conta como foi sua experiência no momento do acontecido.

“Na hora que eu escutei aquele barulho, eu pensei logo que tinha sido outro muro caindo, porque já tinha caído um pedaço do muro no começo da semana então caiu o muro todinho de novo né?”, disse a professora Manoela.

Por Edlene Andrade

Fotos cedidas por Douglas Santos – Arquivo pessoal

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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