Pesquisa em Brasília mostra como reutilizar água com peixes para irrigar verduras

Um projeto desenvolvido por aluna de veterinária em Brasília estuda um método de plantio inovador e sustentável. A pesquisa trata da reutilização de água em tanques onde são criados peixes para irrigar pequenas verduras, conhecidas como “baby leaf”. O projeto foi realizado pela aluna Ana Luíza Alves Panta Vasconcelos e coordenado pelo professor Carlos Alberto da Cruz Júnior, do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).

Ana Luíza Vasconcelos faz arranjos das “baby leaf” plantadas com aquaponia em sua estande do projeto científico. Foto: João Pedro Rinehart

“Avaliamos, nesse estudo, o sistema, tanto na seca quanto nas chuvas, na produção de um tipo de vegetal chamado ‘baby leaf’”, conta a estudante pesquisadora. Como o sistema aquapônico trabalha de forma a reutilizar a água, ele torna-se sustentável tanto nos períodos sem chuva quando nos que chovem.

Para quem não sabe, a “baby leaf” é uma forma de verdura miniaturizada. Essas folhas têm alto valor de mercado. Não à toa, restaurantes “gourmet” fazem uso frequente dessas verduras em pratos mais elaborados. Apesar da tarja de “gourmet”, as “baby leaf”s possuem preço acessível, além de não serem em nada prejudicadas na questão do sabor.

Como uma das vantagens da aquaponia é o pouco espaço que ocupa, o produtor que possui menor propriedade tem a chance de produzir em maior escala com menos área. “Um pequeno produtor, em uma pequena propriedade, consegue fazer dois ou três tanques e então ver a proporção: quantidade de peixe para quantidade de vegetal produzida”, conta Ana Luíza Vasconcelos

Como funciona

A Aquaponia consiste em um sistema de reutilização de água. A água utilizada nos tanques de peixes é serve para irrigar as plantas em uma estufa. De lá, ela passa por tanques de decantação que filtram e armazenam ela antes de voltar aos tanques de peixes. Há uma pequena perda, devido a evaporação. Mas, garante a estudante, “mesmo assim, ele é 90% mais econômico que a agricultura normal, por que ela é reutilizada.”

Na pesquisa, intitulada de “Avaliação da capacidade produtiva de vegetais baby leaf em sistema aquapônico na estação chuvosa e na seca”, contou com cerca de 3 anos de trabalhos, de acordo com a estudante. Foram montados tanques de 12 metros cúbicos, onde ficam os peixes. Os tanques ficam em lugares mais altos, de forma a aproveitar a força da gravidade na hora da água sair de lá e seguir o curso do sistema. “A água passa por uma estação de tratamento, depois ela volta para um tanque de armazenamento. Desse tanque ela é distribuída para a estufa onde são produzidos os vegetais. Lá, ela fica retida um tempo e, após, volta para o tanque dos peixes.”

A água que vem dos tanques de peixes é levada até a estufa, onde irriga as plantações de “baby leaf”. Foto: Arquivo Pessoal

Ana Luíza Vasconcelos lembra que demorou a se acostumar com a experiência. “Fui me abrindo aos poucos, de cara tinha um pouco de receio. Mas me apaixonei, por incrível que pareça. Passei 3 anos lá, foram 3 projetos e esse é o último.” Ela também comentou que se apegou aos peixes. “Peixe não é o bicho que temos amor e tal… mas eu gostava muito! Tinha até alguns que sabia diferenciar!”

Meio ambiente

No DF, o clima é dividido em período de seca e período chuvoso. Durante a seca, a irrigação torna-se restrita e pode acarretar situação de racionamento. “Na produção comum, o gasto de água é muito grande, então não é todo lugar que você pode produzir, por conta do acesso à água”, conta a estudante.

Carlos Júnior e sua aluna Ana Luíza Vasconcelos em frente a apresentação do projeto aquaponico. Foto: João Pedro Rinehart

Além do pouco uso de água, o sistema aquapônico tem a vantagem de não agredir o solo. Devido ao uso químicos e agrotóxicos, a agricultura tradicional é muito impactante para o solo. Já esse sistema, não faz uso desses produtos. A estudante pesquisadora afirma que “é Bastante vantajoso na questão da economia de água e na degradação do solo. Com esse sistema, a degradação feita é apenas na instalação de uma estufa. Mas é uma degradação mínima.”

 

Por João Pedro Rinehart

Supervisão Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção