Especialistas criticam “muro do impeachment”

A socióloga Débora Messenberg, doutora pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que o “muro”, instalado pelo governo do Distrito Federal para afastar militantes contra daqueles pró-impeachment, no gramado da Esplanada dos Ministérios, representa a polarização instalada desde as eleições de 2014. “O muro é uma infeliz ideia. Na verdade eu acho que é um muro da vergonha, é a explicitação que a ordem pública não é capaz de garantir que forças divergentes possam conviver no mesmo espaço”, explica.

A pesquisadora acredita que essa infraestrutura demostra a falência da instituição de segurança ao não trabalhar com a possibilidade da polícia ser representativa, no sentido de garantir a ordem. “Chegamos ao ponto que as pessoas e os governantes acreditam que é necessário um muro para impedir possíveis agressões”.

Além disso, Débora Messenberg avalia que a estrutura não traz segurança e que possui fragilidade visível. “Se efetivamente os grupos estiverem dispostos à violência, a estrutura não vai conter nada”. Ela ressalta que a perspectiva da política é a perspectiva do diálogo e do consenso, mesmo que acirrado e conflituoso.

O muro foi horrível”

Cientista político pela Universidade de Brasília (UnB), Antonio Flavio Testa, vê a estrutura como uma medida administrativa para separar os diferentes posicionamentos e evitar confronto físico, mas não acredita na eficácia dessa medida. Ele sustenta que a medida é “radical” e “exagerada”. “É claro que vão haver agressões, xingamentos, brigas, mas muito difícil algo de muita violência. Se houver vontade dos dois grupos, o muro será derrubado, o que eu não acredito é que há essa vontade”.

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Testa relembra outro momentos políticos, como o Governo Cristovão e Arruda, em que também houve manifestações na Esplanada e ações da Polícia Militar. Ao comparar com o atual momento político, ele explica que os ânimos não estavam tão “animados” como hoje. “Agora os ânimos estão acirrados e há gente dos dois lados que estão se ameaçando”. O especialista compreende a medida, mas não acredita ser necessária

Construído por presidiários

Detentos em regime semiaberto do presídio da Papuda foram designados para erguer o suporte no gramado da Esplanada. Débora Messenberg afirma não ser legítimo utilizar o trabalho de detentos para a construção da estrutura. “Não deve ser utilizada como uma mão de obra barata, tanto para interesses privados, nem públicos”. A pesquisadora reforça que presidiários devem ser reintegrados a sociedade através de processos de ressocialização – como o ato de estudar, e não de exploração.

Já Antonio Testa acredita que, de alguma forma, esses detentos foram beneficiados. “Eu acho que os presos têm que trabalhar também. Eles estão lá para cumprir uma tarefa, a maioria nem deve saber o que está acontecendo”

Custo 

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social  a estrutura custou R$ 7.850,00 (aluguel das placas). Já os gradils são do Governo de Brasília. A estrutura será retirada na segunda-feira (18).

A Secretaria também esclarece que o planejamento operacional foi feito em conjunto com forças de segurança (Polícia Militar, Bombeiros, Polícia Civil e Detran e demais órgãos de governos) com base na avaliação de cenários e na experiência adquirida em grandes eventos – que exigem estratégias de controle de público de massa.

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“O objetivo do planejamento é garantir o direito à livre manifestação, a integridade das pessoas e o patrimônio público da região tombada já que o Brasil passa por um momento histórico”, informou em nota.

A SSP DF explica que o corredor é composto por alambrado de chapas metálicas e dois gradils que serão resguardados por linhas de policiamento em cada área.

 

Por Daniella Bazzi

Arte: Camila Campos

Fotos: Henrique Kotnick

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção