Copa dos Refugiados: golaços no futebol contra preconceitos

Em campo, eles suaram a camisa e procuraram o gol. Cumprimentam-se como irmãos e, no dia a dia de luta, sabem bem que têm histórias semelhantes de recomeço, de adaptação ao Brasil e lembranças do país natal. Nesse final de semana (10/08) ocorreu em Brasília a Copa dos Refugiados, o maior projeto de integração esportiva envolvendo refugiados no Brasil. A copa foi organizada pela ONG África do Coração com o objetivo de mostrar as realidades das vidas desses refugiados e imigrantes para o público brasileiro, dando mais um passo na luta contra os preconceitos.  O time da Guiné foi o campeão, mas após os jogos, a sensação é que existiam muitos vencedores.

O evento também tenta colocar em evidência para a necessidade de inserção dos imigrantes no mercado de trabalho e reconhecer as riquezas culturais dos participantes e tem o tema “Reserve um minuto para ouvir uma pessoa que deixou o seu país”.  “Eu quis representar meu país, quando eu falo para os brasileiros que sou da Guiné Conacri eles não sabem o que é, agora as pessoas conhecem o meu país”, comentou um jogador da Guiné.  Sheriff Abdu Kader, de 26 anos, é ganense. “Cada um de nós tem um motivo. Aqui é um país que dá oportunidade para gente e nos dá carinho”, diz o estrangeiro, que trabalha como autônomo

A Copa dos Refugiados teve início em 2014 em São Paulo. “O evento reflete um projeto de integração de pessoas refugiadas por meio do esporte, envolvendo refugiados que representam seus países de origem e que buscam promover suas culturas, talentos e conhecimentos no Brasil. Para o ACNUR, ganham os refugiados, imigrantes e a população brasileira”, disse José Egas, representante do ACNUR no Brasil.

A primeira etapa o correu no sábado (10/08) na Arena 310, em Samambaia Sul. A Colombia e Guiné Conacri se classificaram para a final, que foi disputada no domingo (11/08) no estádio Bezerrão no Gama. O Guiné Conacri se consagrou campeão e viajarão para o Rio de Janeiro, onde vão enfrentar os campeões dos outros estados. 

Os participantes, junto com a torcida, fizeram uma grande festa, cantando, dançando e tocando instrumentos. O clima era de amizade entre os jogadores de todos os países. “Agora somos todos uma família” exaltou outra jogador da Guiné Conacri. 

Por Vitoria Von Bentzeen (textos e imagens)

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção