Conselheiro tutelar de Ceilândia critica gestões passadas. “Era cabide eleitoral”

O novo conselheiro tutelar de Ceilândia, delegado Fernando Fernandes, afirmou que os conselhos tutelares eram tradicionalmente “cabides eleitorais” e compostos por pessoas “despreparadas”. Eleito em dezembro do ano passado, ele disse que a gestão atual é formada por pessoas com maior entendimento sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. O conselheiro confirmou que, pela primeira vez, todos os candidatos passaram por provas de conhecimento na área antes de assumir o cargo. 

Fernandes esclareceu que os conselheiros tutelares têm a missão de fiscalizar as unidades de internação de menores de idade, mas que esse trabalho não era feito pelos antigos conselheiros. “Para ter uma ideia, tinha gente que não sabia redigir um texto (sic)”, afirmou o novo conselheiro da Ceilândia. Ele criticou o governo e disse que sua maior frustração é trabalhar com a rede de políticas públicas do Estado. “Nosso maior aliado [dos conselheiros] é o Estatuto da criança e do adolescente (ECA) e nosso maior inimigo é o governo, com as medidas de correção social ineficientes”, lamentou o responsável pelo Conselho Tutelar de Ceilândia.

Maioridade Penal

Com mais de 20 anos de experiência em delegacias do Distrito Federal, Fernando Fernandes não acredita na redução da maioridade penal como solução para reduzir a criminalidade. “Os maiores vão sempre procurar quem está abaixo da lei. Se abaixar para 16, eles vão atrás dos jovens de 14 e assim por diante”, alertou o conselheiro.
Ao falar de solução para os problemas da criminalidade, em especial na região de Ceilândia, Fernandes cita a escola em tempo integral como ferramenta necessária para redução dos índices de violência na região. No entanto, o conselheiro volta a criticar o governo ao falar que a implementação dessa política “anda com passos de tartaruga.” Atualmente, das 37 unidades de ensino na Ceilândia, duas escolas adotam o regime integral.
Internação Compulsória

Fernandes defende a internação compulsória para viciados em drogas no Distrito Federal, a exemplo do que foi feito no Rio de Janeiro e em São Paulo, e acredita que o governo tenha condições para atender a demanda de dependentes químicos. “É uma bandeira que eu defendo, e tento, por meio do conselho tutelar, sustentar essa proposta”, acrescentou  Fernando Fernandes.


Por Willian Farias – Agência de Notícias do UniCEUB

Post Author: Editor Agencia CEUB