Campus Party: crianças devem ter acesso à tecnologia desde cedo, dizem professores no evento

O contato cada vez mais precoce das crianças com a tecnologia e suas habilidades  foi o assunto abordado, na primeira noite da Campus Party Brasília, pelos palestrantes Alexandre “Case Monstro” (embaixador da CP), Diana Santos (professora de informática)  e Laureane Pereira (professora de robótica infantil).

Para os especialistas, a Campus pode ser uma oportunidade do público jovem de interagir e exercer a cultura maker, ou seja, as práticas de robótica ensinadas nas escolas. Segundo Alexandre, a prática “vai revolucionar a sala de aula”. “As crianças não aguentam mais um professor ler três páginas de um livro de história, por exemplo”.

Durante a palestra, discutiu-se sobre os desafios da implementação de uma educação tecnológica no Brasil. Sobre isso, Alexandre aponta que as crianças chegam a ser diagnosticadas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). “As pessoas gostam de dizer que as crianças têm TDAH. Não são elas que têm TDAH, e sim a educação que não as a acompanha”. Para o educador, a educação está ultrapassada, e deve ser mudada a forma de ensinar, mas toda e qualquer distribuição de recursos tecnológicos para crianças deve ser orientado e monitorado. “Com acompanhamento, a tecnologia se torna uma grande ferramenta, mas sem (acompanhamento), o jovem pode para nas piores partes da internet”.

Imagem: Pixabay / foto pública

Laureane Pereira, que é a coordenadora do projeto dentro do evento e professora em uma escola da Ceilândia (DF), defende que a introdução da tecnologia logo nos primeiros anos da escola é fundamental. “Nós não ensinamos apenas a programar, e sim a se tornarem seres autônomos e independentes”. Isso para a educadora é parte fundamental na formação intelectual dos jovens.

Perguntados por nossa reportagem sobre a possível idade na qual uma criança pode ser iniciada tecnologicamente, os integrantes da palestra afirmaram que já tiveram alunos a partir do cinco anos, mas alertaram que nesses casos, há uma abordagem diferente. “É claro que você não vai ensinar para uma criança não alfabetizada como programar. Mas você ensina noções espaciais como direita, esquerda, números (…) além de habilidade sociais e pensamento computacional, que serão muito úteis no futuro”, disse Laureane Pereira

Sobre a recorrente falta de estrutura para o ensino de robótica e programação no Brasil, a solução, segundo os palestrantes é simples: adaptar a forma de ensinar: Case Monstro afirma que é possível trabalhar até com sucata e desenvolver o pensamento computacional a partir desse tipo de material.

A 3ª edição do evento em Brasília oferece aos programadores mirins um espaço denominado “Crianças hackers”, na área gratuita do evento (chamada de open), destinado à programação, automação e Robótica.O espaço está disponível até domingo (23).

 

Por Ricardo Ribeiro

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção