Escritores brasileiros destacam 200 anos de Dostoiévski e influência dos russos

A literatura mundial celebra, nesta quinta (11) o bicentenário do escritor russo Fiódor Dostoiévski, autor de clássicos da literatura mundial como Crime e Castigo e O Idiota. O escritor morreu em 1881, mas ficou eternizado com temáticas que vão fundo na alma humana. Para o autor gaúcho Jeferson Assumção, Dostoiévski, que destacou a dor dos humilhados, traz profundidade psicológica nos textos. “Essa perspectiva na literatura russa é dos contextos”, explica. Assumção é autor de mais de 20 livros.

Retrato – Busto Dostoiévski

O escritor cita a noção de liberdade também com a obra de outro russo, Anton Tchekhov (1860-1904). “Ele faz isso em prol da liberdade. Ele é um modernizador da literatura. Ele combate a ideia de um final fechado, o que é extremamente libertador para o escritor. Respeita uma escrita não moralizante e humanização a partir da ressonância. Isso tem a ver com política e vida social respeitando o pensamento do leitor”. Essa característica também é do realismo de Dostoiévski, que optou por trazer diferentes olhares para seus grandes clássicos, levando ao leitor a pensar sobre os dilemas dos desvalidos.

O escritor e professor Paulo Paniago também destaca que Tchekhov teve acuidade para os detalhes. “Os escritores têm a tomada de posição pela liberdade.  Tchekhov tem um caderno de notas (Um bom par de sapatos e um caderno de anotações, que antecede obra jornalística consagrada A Ilha de Sacalina) que ele traz dicas do que significa escrever”.

O professor exemplifica que atualmente tem experimentado o gênero de “semi-ficção”. Ele adianta que está em fase de conclusão do livro Subúrbios e Ruínas, que segue por esse caminho. “A democracia da literatura permite que a gente invente e crie ilimitadamente no nosso tempo”.

Assista a palestra na íntegra: 

“Literatura, escrita e democracia”

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Trajetórias

Jéferson Assumção, autor de mais de 20 livros, é pós-doutor em teoria literária e filosofia e colunista de literatura da Mídia Ninja. Contudo, ele conta que sua história começou de forma simples. Camelô por 10 anos na periferia de Porto Alegre, lia e escrevia 8 horas por dia todos os dias. Apaixonado pela literatura ficcional, ele afirma: “Eu queria fugir do que era minha vida. Daquele frio absurdo, do calor, da humilhação.”

“A literatura que eu sempre quis foi aquela que me tirava do meu lugar, aquela que me levava para qualquer outra coisa”

 Jéferson considera-se preocupado com a deslegitimação da ciência e do conhecimento formal pela informalidade imposta por meios tecnológicos. “A tecnologia está tirando as mediações, isso pode gerar uma falta de comunicação e teoria. Uma fragmentação total.”

Paulo Paniago, no campo acadêmico, está preocupado com a demora do ambiente virtual como espaço de conhecimento.  “O ambiente virtual democratiza o conhecimento mas é péssimo no sentido pedagógico”, diz Paaniago. Crítico do assunto, Assumção afirma que as faculdades buscam a integração e a  modernização por meio de likes e compartilhamentos e que esse fenômeno afeta a ciência e o ensino.

” A construção do conhecimento deveria ser, no meu entendimento, em relação a isso [repercussão], mas não submissa a isso. Aquilo que deveria ser um lugar de construção do conhecimento autônomo está querendo ser uma construção de como ‘ser legal’”. 

Por Alexya Lemos

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção