Caminhoneiras explicam desafios nas estradas

“Quando cheguei a empresa, falaram na minha frente que eu não ia dar conta. Me deram dois meses para eu desistir. Eles desacreditaram do meu potencial, mas eu sabia que era capaz”. Patrícia Gomes, de 28 anos, mora no Mato Grosso, mas passa a maior parte do tempo na estrada e é completamente apaixonada pela profissão de caminhoneira.

“Eu nem sei expressar o quanto eu gosto de ser caminhoneira. Poder ligar uma música, ver o pôr do sol, essa sensação de liberdade é a melhor coisa”.

No Brasil, existem 180 mil mulheres aptas para dirigir caminhões, segundo levantamento do Conselho Nacional de Trânsito.

Em uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte, em 2019, que abordava o “Perfil do Caminhoneiro”, 99,5% dos motoristas eram homens, e as mulheres representavam 0,5% do setor. Para essa porcentagem não assusta.

Foto: Patrícia Gomes

 Parceria na estrada

Larissa Zabloski, de 21 anos, do Paraná, se apaixonou pelo mundo dos caminhões por causa do marido, que já era caminhoneiro. Ela começou a fazer viagens com ele e se apaixonou, na entrevista contou que seria eternamente grata a ele por esse presente. Larissa comenta que existe muito estranhamento quando ela chega em um posto e é uma mulher descendo do caminhão.

“Eu chamo muita atenção, porque, querendo ou não, na vida na estrada, o universo feminino ainda é pouco”. Apesar do sexismo existente no setor, Larissa conta que no caminhão é onde ela se sente mais poderosa: “você sente aquela sensação de “eu consigo!”, minha mão fica suada, meu olho começa a brilhar, sabe? Eu não troco por nada!”. 

Foto: Larissa Zabloski. Foto: Arquivo pessoal

 

Mulheres que dirigem caminhões sofrem um grande preconceito por parte da maioria dos trabalhadores desse setor, que alegam que mulheres não sabem dirigir bem.

Porém, dados provam o contrário, uma pesquisa realizada pelo Instituto Renault mostrou que 70% das infrações cometidas no trânsito são feitas por homens e eles causam 71% dos acidentes. De acordo com o estudo, apenas 15% das mulheres ultrapassam o sinal amarelo e com os homens, essa porcentagem chega a 65%. 

Seguidores

Bianca Divino, de 27 anos, tem 54 mil seguidores no Instagram e 10 mil no Tik Tok, onde sempre posta vídeos sobre sua rotina como caminhoneira. Bianca já teve outros trabalhos, já trabalhou como motogirl, mas seu pai trabalhou com caminhão a vida toda, então, desde pequena ela queria ser caminhoneira.

Com o grande número de seguidores, Bianca conta que sofre preconceito nas redes sociais: “Sempre que eu posto algum vídeo, tem alguém nos comentários falando que não sou eu que estou dirigindo, pedindo para eu ir pilotar um fogão”.

Por outro lado, ela também conta que existem mulheres que se inspiram nela e basta entrar na sessão de comentários de um dos seus vídeos e você pode encontrar comentários de mulheres falando que seu sonho é seguir a vida como caminhoneira. “Eu sempre falo para elas, isso é para tudo na vida: se você ama, tenha força de vontade e corre atrás dos seus sonhos.”

Por Luisa Barmell

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção