Projeto Bicho Livre: o trabalho feito contra o tráfico de animais silvestres no DF

Projeto Bicho Livre proporciona o retorno dos animais resgatados à natureza. Foto: Instagram Chapada Imperial/Divulgação

O tráfico de animais silvestres é um dos mercados ilegais mais lucrativos do mundo e um problema também no Brasil. De acordo com a ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, no Brasil por volta de 38 milhões de animais são removidos de seus habitats naturais anualmente.

A tarefa de levar os animais novamente à natureza é um trabalho feito com auxílio de diversas ONGs e instituições. No Brasil, a Chapada Imperial atua em iniciativas para auxiliar no retorno destes animais traficados de volta à natureza para o habitat natural, ao lado de outros animais da mesma espécie. Isso promove a qualidade de vida e segurança das espécies dentro do ecossistema.  

O veterinário Matheus Rabello, que atua em uma clínica especializada em tratar animais exóticos, ressalta os cuidados que devem ser tomados ao resgatar um animal apreendido ilegalmente. “Quando a gente fala de um animal selvagem da natureza, a gente tem que ter muito cuidado com o planejamento, do que será realizado e do manejo, tanto para segurança da equipe quanto para a do animal.”

 A criação de animais selvagens é permitida, quando certificada e autorizada legalmente. “É um processo que poderíamos falar horas sobre isso. É  extremamente burocrático e quase impossível no Brasil.”, diz o Matheus Rabello. Muitos dos animais sofrem com o processo de triagem. “Não é esse mundo cor de rosa que as pessoas imaginam.  ‘Ah, tem que entregar pras autoridades’, infelizmente não. Se hospitais públicos de pessoas estão do jeito que estão, imagina como é que estão o dos animais.”

Projeto Bicho Livre

A volta dos animais para a natureza é parcialmente planejada por membros da Chapada Imperial, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O projeto consegue pôr em prática o objetivo de dar uma vida saudável aos animais resgatados.

Por fim, a dona do santuário, Marta Imperial, menciona que a recuperação desses animais selvagens é feita pelo Ibama, mas que o manejo dos animais é feito por ação fiscalizatória, entrega ou resgate voluntário pelos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), parte do Ibama.

De acordo com o Ibama, os Cetas tem a finalidade de receber, identificar, marcar, triar, avaliar, recuperar, reabilitar e destinar os animais resgatados de volta à natureza. Os Cetas fazem parcerias com propriedades rurais cadastradas pelo Ibama para receber animais aptos a voltarem a natureza. Em uma dessas parcerias veio o Projeto Bicho Livre na Chapada Imperial, onde é feita a reintrodução.

O projeto teve início em 2002 em parceria com o Ibama, com iniciativa dos Cetas, e como objetivo principal, de acordo com o site do projeto, “a reintrodução de animais silvestres, apreendidos do tráfico, no seu habitat natural.” A coordenadora e dona da chapada, Marta Imperial, diz que o projeto tem tido muito sucesso com uma média de 7.000 animais reintroduzidos com sucesso. A maioria araras e papagaios desde a criação. “Quando o projeto começou as araras Canindé estavam na lista de animais em risco no DF. Há dois anos aproximadamente as araras Canindé saíram da lista de risco no DF,” ressalta.

Por Ana Beatriz Queiroz e Isabela Serednicki

Sob supervisão de Isa Stacciarini

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção