Vício em jogos eletrônicos pode ser similar à dependência química, diz especialista

Como saber se a prática de esportes eletrônicos não passa um pouco da conta?  A neuropsicóloga Caroline Ramos explica que os jogos eletrônicos podem deixar de ser uma diversão e passar a ser um problema quando há exagero ou realizada de maneira inadequada, acarretando prejuízo na qualidade de vida. 

Caroline Ramos diz que é possível que os jogos se tornem um vício na vida das pessoas, e que pode ser semelhante ao de dependência química “Nas crises de abstinência podem apresentar sintomas de taquicardia, sudorese e irritabilidade. O Ideal é não permitir que a situação fuja do controle, estabelecer rotinas/regras, intervenções com limite de exposição e muito diálogo podem prevenir quadros patológicos”, explica. 

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A especialista esclarece, ainda, que a tecnologia pode ser uma aliada no desenvolvimento de crianças e adolescentes, se usada de forma moderada. Quando usada de maneira excessiva, pode comprometer o rendimento escolar, as habilidades sociais e o desenvolvimento cognitivo. O hábito pode auxiliar, também, na estimulação cognitiva, como na diversão, no aprendizado e na interação. Por outro lado, é capaz de causar ansiedade, sedentarismo e alteração no sono.

Nomofobia

A Organização Mundial da Saúde (OMS), considera, desde 2018, a dependência digital como uma doença e reconhece o distúrbio de jogo no Código Internacional de Doenças, o CID. A nomofobia, como foi intitulada, é o medo irracional de ficar sem celular ou aparelhos eletrônicos em geral. 

No mundo dos eSports, as transmissões ao vivo também estão chamando a atenção do público. As “streams” são realizadas em diversas plataformas, como a Twitch TV e o Facebook, e já fazem parte da vida de muitos jogadores. 

Paulo Junior, de 19 anos, sonha em se tornar um streamer profissional e, desde 2019, tenta construir uma carreira com as lives. 

Nas transmissões o jovem costuma jogar League of Legends (LoL), além de interagir com o público por meio do chat ou exibindo alguns desenhos feitos por ele. 

Paulo acredita, também, que o grande diferencial de suas transmissões é a transparência e a amizade com quem o assiste “parece que eu tô só num bar com meus amigos trocando uma ideia e rabiscando alguma coisa” brinca o rapaz. 

 

 

Reclamações

Antonio de Oliveira, de 20 anos, costuma jogar Free Fire, Counter Strike (CS:GO) e The Duel há 11 anos. O jovem, que antes da quarentena jogava entre duas a três horas por dia, passou a jogar por seis horas, mas, apesar de receber reclamações por parte das pessoas de seu convívio, acredita que o tempo gasto não interfere nas atividades diárias.

Além dele, Denise Silva, de 19 anos, também curte os jogos eletrônicos e gasta, em média, 4 horas por dia. A jovem, apesar de dedicar muito tempo aos games, não parou de praticar atividades físicas e diz que corre, pelo menos, uma vez por semana na praia. Além disso, Denise explicou que montou uma rotina para que o entretenimento não atrapalhasse sua rotina “deixo a noite livre, caso queira jogar algo”, comenta.

Aumento de interesse

Como explica o site da Confederação Brasileira de eSports, a modalidade possui competições que são disputadas em games eletrônicos em que os jogadores atuam como atletas profissionais e são assistidos por um público presencial e/ou online, através de diversas plataformas de stream online ou TV.

Os esportes eletrônicos, ou e-sports, como são popularmente conhecidos, vêm ganhando espaço no cenário mundial cada vez mais. Assim como em todo o mundo, essa categoria tem agradado bastante aqui no Brasil. Segundo a Pesquisa Game Brasil, em 2020 houve aumento de 7,1% de jogadores de jogos eletrônicos em relação ao ano anterior.

Além disso, ele acredita que os jogos são uma forma incrível de entretenimento e que não precisa ser um jogador profissional para se divertir nas transmissões, já que, atualmente, existe uma grande variedade de conteúdo nas plataformas.

Por Rayssa Loreen e Ravenna Alves 

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção