Dia contra a Violência à Mulher: “é preciso fortalecer rede comunitária”, diz especialista

Instabilidade emocional, isolamento do mundo exterior, falta de produtividade no ambiente profissional e distanciamento de familiares e amigos são alguns dos sinais apresentados por mulheres que sofrem de violência doméstica. No Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher e Dia Mundial da Saúde Mental (10 de outubro), o debate dos danos psicológicos causados em mulheres vítimas de violência vem à tona à discussão. Uma discussão atual é sobre os caminhos para buscar ajuda e também a participação de cada um de nós para denunciar agressões. Para especialistas ouvidos, é importante fortalecer a rede comunitária contra esses tipos de crimes

Saiba mais sobre violência contra a mulher

A assistente social da Subsecretaria de Atividade Psicossocial (SUAP) da Defensoria Pública, Laís Cristiane Carvalho, ressalta o que pode ser feito pela mulher que estiver se sentindo em perigo, além de procurar pela Delegacia de Atendimento à Mulher e/ou a Polícia Militar e o disque 190. “O mais importante é fortalecer a rede familiar e a rede comunitária. Ela precisa buscar ajuda na família e nos amigos porque eles também podem ser uma rede de proteção para essa mulher,” afirma.

Rede de mulheres

Fundado em março, durante a pandemia, o coletivo Escuta Ética é formado por psicólogas e psicanalistas e tem como propósito o atendimento social e voluntário voltado à mulheres. A psicanalista Mayara Moraes, que faz parte do grupo, explica como o projeto surgiu: “As mulheres sempre estão em um lugar de vulnerabilidade e sendo prejudicadas por conta da desigualdade de gênero. Com o isolamento por conta da pandemia, elas seriam mais prejudicadas. Foi a forma que encontramos para dar mais auxílio.”

De Recife, Mayara explica que o atendimento do grupo já foi feito para mais de 400 mulheres e se estende para todo o Brasil e o resto do mundo. “Por sermos mulheres, a gente sente na pele muitas dessas dores. A gente também é silenciada, a gente também é invalidada, a gente também está em uma situação de vulnerabilidade muitas vezes. Eu acho que é um projeto de extrema importância.”

Apesar de apontar um cenário desfavorável para as mulheres, principalmente durante o período, a psicóloga acredita em uma mensagem positiva. “Mesmo com dor e na base de muita luta, estamos vendo mudanças em diversas esferas. Mulheres são poderosas e são capazes de muito. É preciso fazer rede e buscar apoio para voltar a acreditar em si e na mudança do mundo”.

Pandemia e violência

No contexto da pandemia e do isolamento social, o número de casos de violência contra a mulher cresceu no mundo inteiro. No período do início da pandemia até abril, a Organização das Nações Unidas (ONU) registrou que países como o Líbano e a Malásia tiveram duas vezes mais chamadas nas linhas de ajuda; na China, o número triplicou. Na Austrália, o termo “violência doméstica” teve o maior número de buscas na internet nos últimos 5 anos.

No Brasil, os números também são preocupantes e colocam em alerta as autoridades públicas. Em março, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos registrou um aumento de 9% em março no número de ligações para o Disque 180, canal de denúncias de violência contra a mulher; em abril, este número cresceu 40% em relação ao ano anterior.

Para psicóloga clínica Juliana Gebrim, os danos psicológicos causados pela violência se perpetuam na mente de diversas formas. “Elas adquirem uma baixa auto estima, podem ficar mais agressivas, podem desenvolver uma depressão, ansiedade ou um quadro de estresse pós-traumático.”

A vida social da mulher vítima de violência também é afetada, com explica a psicóloga. “Para retomarem suas vidas e se ressocializar elas podem ter algum tipo de problema, porque elas começam a fazer a leitura psicologicamente de que o mundo é um local perigoso e de ameaças. A pessoa fica com medo até de ter um relacionamento com alguém,” explica.

Para Juliana Gebrim, a melhor forma de se ajudar uma mulher que sofre com danos psicológicos da violência é através da orientação pela busca de psicoterapias. “Funciona para a pessoa entender o ciclo de abuso e poder aumentar a auto estima dela dentro da psicoterapia. Quando o quadro está mais agravado, também pode ser medicada para casos de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático decorridos do abuso,” afirma a psicóloga.

Por Marina Torres

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção