Esportes devem ser praticados desde a infância, dizem especialistas

O esporte, além da diversão para quem o assiste e o pratica, traz consigo benefícios para a saúde contra problemas físicos e psicológicos, também na infância. Publicações recentes do Ministério da Saúde do ano apresentam números que mostram as crianças sendo cada vez mais prejudicadas pela falta de atividades físicas, e aponta um grave aumento no número de casos desses problemas entre os pequenos brasileiros.

Cerca de 13% dos jovens entre 5 e 9 anos e 17% das menores de 5 anos estão obesas ou com sobrepeso, e a maioria delas continua nesse estado até a fase adulta, o que pode acarretar problemas mais sérios no futuro. Quanto aos aspectos mentais, segundo um levantamento da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, em São Paulo, cerca de 10,2% das crianças passam por algum problema psicológico, boa parte deles atribuídos ao TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a ansiedade.

Segundo o professor de educação física Henrique Breder, 30, o esporte traz um benefício corporal para a criança, pois abre um amplo leque de movimentos, ajuda na coordenação motora e nos reflexos. Somado a isso, ajuda também no desenvolvimento social, fazendo com que a criança aprenda a desenvolver o respeito mútuo e a lidar com vários tipos de gente.

“Como é uma atividade coletiva na maior parte das vezes, há vários tipos de crianças que estão atuando em conjunto. Nesse caso, pode acontecer que, por exemplo, uma criança mais calma possa tranquilizar outra mais hiperativa, e vice-versa”, disse Henrique.

Breder analisou que tanto os problemas físicos quanto os socioemocionais que as crianças enfrentam hoje em dia poderiam ser evitados caso elas tivessem recebido incentivo dos familiares no início. “Os pais e mães têm que aprender isso. Se não tiver o incentivo antes, se não forem pais presentes que ajudem a criança nesse desenvolvimento, eles vão sofrer as consequências no futuro, ela pode se tornar uma pessoa que não sai de casa, que não vai conseguir ter uma vida própria e vai depender dos pais por muito tempo”, apontou o professor.

Para que isso seja evitado, ele recomendou quatro medidas essenciais para que a criança possa começar a praticar mais atividades. Primeiramente, os pais devem dar exemplo aos seus filhos, promover atenção e criar um ambiente propício para praticar exercícios.

Henrique Breder aponta a importância de tomar cuidado com o acesso a aparelhos eletrônicos, já que são objetos que muitas vezes não estimulam a criatividade, o raciocínio lógico e a coordenação motora.

Como opção, o professor recomenda que dêem, de vez em quando, brinquedos que estimulem essas habilidades, para que a criança tenha um melhor desenvolvimento.

Foto: Pxhere/domínio público

Emoções

Já pelo lado psicológico, a psicóloga e psicanalista Camilla Freitas Velasco da Silva, 36, destacou três aspectos importantes na prática esportiva: o desenvolvimento psicomotor, cognitivo e psíquico, do ponto de vista das emoções e sentimentos.

Os dois primeiros ficam claros em atividades que envolvem esforço corporal, pois estimula a psicomotricidade, o que leva a criança a realizar movimentos integrados a sua cognição. Por sua vez, o psíquico é ocasionado pelas experiências dos opostos que o esporte oferece, como a satisfação de vencer e a frustração de perder. Somado a isso, a psicóloga frisou outro ponto importante neste desenvolvimento.

“É preciso que esses sentimentos sejam ressignificados de maneira adequada, permitindo que a criança suporte a alternância entre o ganho e a perda, o que seria uma das grandes contribuições psíquicas do esporte”, completou Camilla Freitas.

Neste sentido, ela também reforça a importância dos pais, em conjunto dos professores ou treinadores, pois, segundo a especialista, de nada adianta o pai e a mãe incentivarem o espírito de equipe e o técnico exigir sempre a busca pelo primeiro lugar.

Tais personagens também tem seu papel na formação de relações amigáveis durante a infância no esporte, servindo como intermediadores, já que as crianças ainda estão em formação, e por isso ainda não tem muitas restrições e regras internalizadas, necessitando esse auxílio para estabelecer laços sociais, o que contribui para o desenvolvimento da desinibição, integração e cooperação da criança.

Apesar do esporte não ser a única alternativa para o desenvolvimento social e psicológico das crianças, a psicóloga acredita que não praticar essas atividades faz com que o indivíduo deixe de vivenciar situações que possibilitem a evolução das habilidades sociais. Por fim, ela também comentou sobre observações sobre comportamentos e tendências observadas por ela entre os praticantes e não praticantes na infância.

“Vejo na clínica em que trabalho que o esporte é uma alternativa para crianças que apresentam sinais de ansiedade, agressividade ou timidez, pois permite que o investimento de energia na atividade ajude ela a lidar com esses sentimentos, além de oferecer espaço de socialização em que a criança pode se identificar com outra que possui interesses parecidos, o que traz um sentimento de pertencimento e reconhecimento importantes no desenvolvimento infantil”, finalizou Camilla Velasco.

Por Arthur Ribeiro e Arthur Vieira

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção