Executivos de esportes eletrônicos explicam caminhos do profissionalismo

Olhos vidrados em telões e telinhas. Cada lance é acompanhado por arenas lotadas e até com transmissão por canais de TV. O avanço em diferentes fases de um jogo pode ser uma metáfora válida para o caminho que executivos de esportes eletrônicos (os e-sports) percorreram para tornar o que é passatempo para alguns em uma atividade lucrativa e que tem rendido lucro e satisfação a empreendedores brasileiros. Nesta semana, um evento denominado Play Estudantil reúne executivos, praticantes e apaixonados pela atividade para discutir a evolução dessa modalidade no mercado de trabalho.

Jogos atraem grande público e licro. Foto: Creative commons

O executivo Cleber Fonseca, fundador da CNB, recorda que foi “aspirante a atleta” desde a infância. Entre 2001 a 2008, inclusive, jogava por hobbie. Depois, tornou-se jogador profissional do jogo Counter Strike Source. Fonseca, que é publicitário, diz ter conseguido aplicar os conhecimentos acadêmicos na atividade. “Eu ia jogar com meu time e meu irmão se preocupava com a camiseta, alimentação, com o transporte que são alguns conceitos básicos dentro de um clube eSports. Fazíamos sem perceber” declarou.. A profissionalização começou em 2009 com ideia de expandir e plano de negócio. Naquele ano, chegou a reunir 13 modalidades com 100 atletas.

 

Em 2012 com a chegada do League Of Legends (LOL) no Brasil, ele afirma que foi rápido em formar um time e se adaptar. Ele diz ter sido um dos principais acertos, com o sucesso do jogo. “Em 2013 houve um ‘boom’ de eventos eSports no Brasil, alguns eventos famosos como Line Up e o grande sucesso que a equipe de 2013 obteve”. Ele também cita a produção de conteúdo nas redes sociais como o facebook que chegou a bater 100 mil curtidas, e que na época era um número bem expressivo.

O próximo passo foi preparar um projeto pioneiro para formar campeões “de base” em 2015, com um centro de treinamento e jogadores amadores. No ano seguinte, lançou o CNB Arena com direito a dormitório para os atletas (gaming house), sala de treinamento (CT) e espaço para eventos, com transmissão dos jogos e espaço para o público ir e a torcer pela equipe. “Após os jogos, os jogadores voltavam e passavam um tempo com a comunidade”.

Um momento importante para o mercado global, aconteceu em 2017, quando Ronaldo Fenômeno e Akkari se tornaram sócios do clube. “Houve um grande impacto no mercado, pois até ali não era comum jogadores se envolverem. Diferente de hoje que vemos jogadores famosos como o Neymar Jr falar sobre o assunto”.

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De 2018 para cá, o eSports ganhou bastante reconhecimento no Brasil e em 2019, aconteceu o rebaixamento no CBLoL, e até então o CNB era o único time que tinha participado de todas as edições e chegado a final três vezes”. Cleber destaca que o caminho do clube é o de revelar novos jogadores.

Deixou a advocacia

A executiva Marina Leite, da PRG eSports, lembra que se aproximou do mundo dos esportes eletrônicos em 2011, como uma loja gamer. Ela diz que, em 2016, percebeu o crescimento do League Of Legends (LOL) e decidiu abandonar sua carreira de advogada, para entrar nesse meio e gerir a empresa. Eu acredito que é muito importante a gente ter uma visão e valores que vão definir os objetivos do seu clube, da sua organização. A PROG Sports nasceu com uma missão bastante clara, conquistar o mais alto patamar de desempenho esportivo do e-sports nacional”.

Marina explica que um clube é gerido e funciona como qualquer empresa, com contas a pagar e receber, orçamentos, planos de negócios seguidos à risca, estratégias e o marketing. “É preciso ser organizada. A diferença é que você trabalha com paixão”. Ela conta que antes de iniciar cada projeto de campeonato, é necessário lidar racionalmente com tudo, pois depois que o campeonato inicia a paixão toma conta. A executiva reforça ainda a necessidade de lidar com colaboradores de confiança e delegar tarefas. Tudo é organizado para que os atletas e colaboradores se preocupem apenas com o desempenho esportivo.

Equipe

Os atletas de esportes eletrônicos são os que ficam em maior evidência. Mas a equipe vai além do que se vê. A comissão técnica também é responsável por desenvolver talentos e trabalhar o melhor de cada jogador. Além disso, existe um coach que trabalha a inteligência emocional e sabe lidar com cada indivíduo.

Marina conta que dentro da empresa, quando os resultados não são satisfatórios, a comissão técnica é cobrada pela diretoria. “Isso mostra que a gente acredita que é extremamente importante o respeito a função. Eu não posso chegar no meu atleta e cobrá-lo. Preciso fazer isso da comissão técnica que é quem está preparada para lidar com cobranças e vai saber passar isso para os atletas”.

Existem ainda os responsáveis pelas comunicações. assessoria comercial, o Manager (responsável pela organização da estrutura da equipe), além do departamento de saúde com psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas. As receitas vêm de patrocínios, parcerias e divulgação de conteúdo em ligas competitivas com venda de uniforme, sócio torcedor e premiação em campeonatos.

Marina afirma que o desafio no Brasil ainda é a captação de investimentos financeiros. “Neste ano de 2020, o mundo enfrentou uma pandemia, várias empresas foram impactadas financeiramente e os primeiros cortes de gastos que ocorrem é sempre no setor de marketing”.

Por Ravenna Alves

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção