Djamila Ribeiro: País tolera feminicídio

“O Brasil já tem uma ideologia de gênero que permite que a mulher seja agredida”. A posição é da filósofa feminista Djamila Ribeiro, que esteve nesta quinta (17) em uma live informativa promovida pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) com o tema “Um mundo mais feminista?”.

Na ocasião, Djamila criticou a negação em discutir o debate sobre “ideologia de gênero” no Brasil. “É a ideologia de gênero que permite que o Brasil seja o quinto país em feminicídio, é a ideologia que não discute os órfãos de feminicídios e permite o casamento infantil”, disse.

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O termo “ideologia de gênero” costuma ser empregado de forma preconceituosa para atacar a defesa da liberdade do comportamento sexual humano.  Grupos identificados como conservadores empregam a expressão para criticar, por exemplo, a educação sexual na escola.

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“Cortina e espantalhos”

De acordo com Djamila, existe a “feminilização negra da pobreza” que é a falta de igualdade educacional que atinge as meninas no Brasil, o casamento entre meninas mais novas e homens mais velhos e a gravidez precoce. “É a lógica que permite no Brasil que mulher não seja tratada como pessoa no país que tem o número altíssimo de violência sexual contra mulheres e crianças que estão fazendo aborto porque são vítimas da violência sexual.”

A filósofa reforçou que é necessário “tomar muito cuidado com as cortinas de fumaça e espantalhos” que criam sobre a ideologia de gênero. “O que nós estamos fazendo é justamente refutar e pensar em enfrentamento a essa ideologia que está posta e não o contrário como tentam colocar”.

A ministra Damares Alves, titular do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos já criticou publicamente a ideologia de gênero. Depois da posse do presidente Jair Bolsonaro, um vídeo com a fala “meninos vestem azul e meninas vestem rosa” de Damares contra a ideologia de gênero repercutiu.

Damares também já chegou a afirmar que as meninas na ilha de Marajó são abusadas sexualmente porque não usavam calcinhas. “Não usam calcinha, são muito pobres.Por que o ministério não faz uma campanha para levar calcinhas para lá?”, disse no lançamento da campanha Abrace o Marajó.

Por Marília Sena

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção