Coronavírus: pessoas assintomáticas, isolamento, novo contágio; especialistas esclarecem dúvidas

Em meio à maior pandemia dos últimos 102 anos, cientistas  de todo o mundo se veem diante de mistérios enquanto que o número de mortos não para de aumentar. O Brasil, por exemplo, pode ultrapassar nesta terça os 66 mil mortos, e tem um número de casos (oficiais) de mais de 1,6 milhão de pessoas. Ainda neste dia 7, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que foi contaminado pelo vírus.

Enquanto a doença (a Covid-19) avança com o contágio do coronavírus, ainda sobram mais dúvidas do que certezas. Segundo especialistas consultados pela reportagem, é certo que o isolamento social é a medida mais eficaz para frear o número de mortes. No entanto, os estados brasileiros têm aberto gradativamente os serviços. Entenda os problemas e algumas das principais dúvidas abaixo:

  1. Contágio por pessoas assintomáticas

Entre mensagens da Organização Mundial de Saúde (OMS), no mês passado, e fake news sobre o assunto, uma das dúvidas é se pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas não transmitem o vírus? Para a bióloga Paula Martins, ainda não há um consenso sobre o tema. “A questão ainda não totalmente respondida é quanto eles transmitem em termos populacionais (%), ou seja, qual o impacto de cada um desses grupos de infectados na dinâmica da pandemia”, enfatiza a pesquisadora do Instituto Agronômico de Campinas.

Ela explica a diferença é que a pessoas assintomática pode nunca vir a ter sintomas, enquanto que a pré-sintomática está numa fase anterior ao início dos sintomas (cerca de 2 dias). “Quem está com os sintomas tende a ter uma carga viral mais alta e por isso transmite mais do que quem não tem sintomas”. 

Atualmente no Brasil, há mais de 1 milhão de pessoas infectadas e aproximadamente 65 mil mortes causadas pelo novo coronavírus. Há algumas semanas, estados têm flexibilizado o isolamento social com abertura gradativa de comércios e serviços não essenciais. Segundo especialistas, o isolamento ajuda a controlar a proliferação do vírus, uma vez que aglomerações são evitadas. 

Paula Martins explicou que é difícil determinar no momento, o impacto dessa abertura, considerada prematura por muitos cientistas. “É importante que as pessoas se conscientizem que precisam usar máscaras, mesmo sem sintomas, pois ainda não temos total certeza de como a transmissão se dá nestes grupos (pré-sintomáticos e assintomáticos), embora saibamos que ela ocorra”.

Para o infectologista Fábio Lopes, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, as questões de isolamento têm se tornado bastante controversas. “O Brasil, comparado a outros países da Europa, como Itália e Espanha, tem uma taxa de letalidade muito inferior. Então estamos criticando duramente o sistema de saúde brasileiro, de forma injusta. Nosso país é muito grande territorialmente e ainda tem as questões de precariedade socioeconômica, que dificultam a condução da pandemia, e por isso essa flexibilização se dá um pouco antes”, comentou. 

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Cenário de incertezas

Umas das principais discussões sobre a Covid-19 é a respeito dos efeitos do vírus no organismo humano. Paula Martins esclarece que já há comprovação de que outros órgãos do corpo, além do pulmão, são afetados como cérebro, rins e coração. “Mas ainda não sabemos se estas alterações são decorrentes de uma ação direta do vírus ou se seria um resultado de alguma resposta de defesa do nosso corpo tentando combater a doença”, completou a bióloga. 

Segundo Fábio Lopes, muitas dúvidas ainda não foram respondidas por completo. Ainda não conhecemos os mecanismos de transmissão e o tipo de agressão que o vírus causa. “O que a gente tem notado, é que diante de números reais, casos oficiais, a taxa de letalidade do coronavírus é baixa”, enfatizou o infectologista. 

Outra questão que tem sido discutida pelos especialistas é a chance de uma segunda infecção em pessoas que já foram contaminadas. Segundo Paula Martins, ainda é cedo para saber a resposta e uma dúvida importante tem preocupado os técnicos: o tempo pela qual nossa imunidade será mantida. O infectologista Fábio Lopes afirmou que ainda não há critérios muito bem definidos de imunização após o contágio. Por isso, não se pode afirmar que o paciente está isento de uma segunda infecção, mas parece pouco provável. “Até agora não me deparei com nenhum caso desse sentido”, salientou. 

Perigo

No dia 18 de junho, uma pesquisa chinesa da Universidade Médica de Chongqing publicada no periódico científico Nature Medicine, apontou casos que apresentaram diminuição nos níveis de anticorpos encontrados em pacientes recuperados da Covid-19, em questão de dois a três meses após a infecção. A pesquisa estudou 37 pacientes sintomáticos e 37 assintomáticos e mais de 90% dos examinados apresentaram queda na presença dos anticorpos IgG, um dos principais na imunização da Covid-19. 

Vacina

Diversas vacinas que combatam o coronavírus têm sido estudadas nos últimos meses. A bióloga Paula Martins, enfatiza que há diferentes formas de fazer uma vacina. “A imunidade resultante dela varia até mesmo conforme o local aplicado (intramuscular, ingerida ou inalada), e também com base no princípio que ela usa (fragmentos do vírus, seu material genético ou o vírus ainda vivo – porém atenuado)”, explicou.

A produção de uma vacina passa por três fases e demora pelo menos 12 meses, segundo Fábio Lopes. Para o infectologista, é provável que vacinas cheguem à população apenas em 2021. “Fazer aceleração disso é possível, mas envolve questões éticas porque é preciso estudar possíveis efeitos adversos nas pessoas vacinadas, que podem ser apresentados em um longo período pós vacina”, ponderou. O infectologista também contou que o Brasil vem avançando nesse sentido trabalhando cooperativamente com alguns laboratórios e universidades do exterior. 

 

Por Thais Batista e Jéssica Ribeiro

Arte: Victoria Camargo

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção