Requebra: conheça benefícios de dançar em casa

Adaptação até no dançar, como se libertar e usufruir dos poderes da dança em um momento de cárcere a domicílio. E mais uma vez a arte como o protagonista da emancipação do indivíduo e de uma comunidade. Devido a situação atual, as academias e as escolas de dança no DF seguem fechadas e os decretos não informam a previsão de volta. Profissionais ligados à dança relatam que houve mudanças e adaptações no trabalho. No entanto, os benefícios que a atividade proporciona é considerado indiscutível.

A adaptação às aulas virtuais vem como mecanismo-chave para que academias busquem atender de maneira regular os alunos. “As aulas on-line foram a maneira que conseguimos de continuar mantendo nossa rotina de dança e arte. O que acabou se mostrando mais importante do que nunca. Já que com o isolamento, a necessidade de conexão, de manter a saúde mental e física são ainda mais importantes.” comenta Nayane Dias, proprietária de academia.

“Quando estamos em movimento, estamos ativos, com energia lá em cima e no caminho da felicidade”

 

O isolamento tende a ser um momento difícil, levando em consideração a necessidade que o ser humano tem em se conectar uns com os outros fisicamente. “Pra quem está acostumado como eu a dar aula dentro de sala de aula há 20 anos. Foi uma ruptura muito difícil poder conseguir desenvolver mecanismos e metodologias que fizessem que o bailarino dançasse em casa e melhor”, afirma Rodrigo Mena Barreto.

 

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O professor Rodrigo Mena Barreto recomenda alguns adereços e conselhos para uma melhor acomodação em seu espaço doméstico. “Movimentos que antes eram feitos com a barra, agora podem ser feitos com uma cadeira, e nos exercícios de alongamento, antes em dupla, como eu faço na minha aula, agora devem ser feitos sozinhos. Tem que tentar também internalizar que você está dentro de uma aula, mesmo não estando, já que a atmosfera ajuda o aluno a se soltar mais”.

A dança como um tratamento paliativo  

Os benefícios de dançar em casa variam, e um deles são os estudos que apontam que se exercitar liberam hormônios possuidores de impacto psicológico, como a endorfina e a serotonina, os quais provocam uma sensação de contentamento e de prazer. Não somente o bem-estar durante e após dança, mas como outros benefícios à saúde têm sidos apontados pelos alunos de academia. “Muitos relatam se sentirem menos sozinhos, menos ansiosos. Falaram até mesmo que tem sido uma grande ferramenta contra a depressão.Porque, ao contrário do que muitos pensam, a dança é primordialmente um instrumento para nossa saúde emocional. Através dela trabalhamos nossa auto estima, confiança, otimismo, empatia, auto motivação e sociabilidade. A dança é uma grande oportunidade para desenvolvermos nossa inteligência emocional e nos conectarmos com outras pessoas”, conta a proprietária de academia Nayane Dias.

“Além de estar praticando uma atividade física, acredito que dançar em casa é positivo também para o nosso psicológico. Porque dançar por si só já é uma forma de libertação, e nesse momento em que não podemos sair de casa é maravilhoso poder se libertar de alguma forma”, explica a bailarina Isabella Souza.

Cuidados Necessários 
Essa etapa pode ser uma oportunidade para  aprender mais, se conhecer melhor e priorizar o que de fato é necessário para se viver. Assim como dançar, pois os requisitos são básicos, basta ter um rede wi-fi, um espaço e o seu corpo. Apesar disso, vale ressaltar alguns dos cuidados que iniciantes e bailarinos devem ter ao adaptar a rotina da dança para dentro de casa.

“O principal pra mim é não ultrapassar os limites individuais: fazer o que já faz normalmente, ou se quiser iniciar a dança em casa, procurar acompanhamento profissional adequado e fazer os movimentos de forma progressiva. Além do mais, escolher bem o local da aula para não correr riscos de escorregar, cair e se machucar, não usar materiais diferentes do habitual e não achar que precisa fazer todas as aulas todos os dias”, evidencia a bailarina e profissional física, Isabella Souza.

Enquanto isso, o professor Rodrigo dá enfoque a várias questões, mas a principal delas é: se proteja. “Na atual circunstância, a vantagem é não adoecer e manter sua dança viva, com técnica presente. Fora da pandemia, é a disciplina, potencializar sua dança e deixar ela mais forte além das aulas na academia”. 

Ademais, ele pontua as questão de níveis de exercício e como essa “chuva de informação” pode prejudicar os alunos, principalmente aqueles que já praticavam anteriormente. 

“É preciso lembrar das correções que seu professor eventualmente fazia em sala de aula, aquelas que eles sempre repetem. É importante não fazer qualquer aula do YouTube, faça aula do seu nível, não mais do que você consegue. Tenho visto tanto aluno iniciante quanto aluno intermediário fazendo aulas avançadas de grandes companhias. Não há problema, mas é muito perigoso a pessoa se lesionar, por serem movimentos mais complexos e que necessitam de um preparo muscular maior”, sugere.

Continuar com a rotina de exercícios em casa exigem cuidado redobrado de quem está fazendo para não se lesionar. Os principais cuidados, segundo o professor Rodrigo Mena são: 

  • O piso adequado, espaçoso, o qual precisa estar reservado para você conseguir fazer a aula que escolheu
  • A sapatilha que for usar, não usar sapatilhas de ponta em casa a não ser que você tenha um piso altamente adequado e já seja profissional. A sapatilha de ponta é um instrumento muito sério e tem que ter um acompanhamento ali. 
  • Também uma alimentação boa porque você tá em casa e às vezes relaxa um pouco na alimentação. Portanto beba muito líquido, vista uma roupa adequada dependendo da sua modalidade de dança. 

Professores de educação física, de dança, personal trainers e grandes companhias de dança aderiram ao movimento das lives para que as pessoas continuassem se exercitando em casa. Entretanto, sem o acompanhamento de um profissional, essa prática exige certos cuidados específicos.

Isabella comenta suas percepções sobre o uso de material online para exercícios. Ela exerce consultoria online e explica que nunca teve problemas com o uso desse formato, desde que seja feito de modo responsável e com orientação correta. “Esse tanto de informação faz com que todos achem que precisam estar fazendo aulas o tempo todo, além do que é muito fácil você fazer várias aulas que não estava acostumada, e isso é muito perigoso. Acho muito legal por um lado porque podemos fazer aulas de pessoas que provavelmente nunca poderíamos fazer, mas por outro, existe uma pressão imensa por ser sempre produtiva e isso não é bom”,  completa.

Ela também é bailarina e possui uma página no instagram, a Com Développé, o qual ela dá dicas, orientações e preparações para bailarinos combinados com sua graduação em educação física. Na página, ela tira dúvidas e explica como os passos de ballet funcionam de um ponto de vista técnico. Ela também explica o funcionamento de passos de dança e passa exercícios que potencializam a dança e que podem ser feitos de modo consciente em casa.

Página da bailarina e educadora física, Isabella Souza (Foto: Instagram)

Grupo do telegram 

A academia de dança de Nayane Dias promoveu por durante um mês aulas gratuitas em um evento chamado “Temporada Conectados” e estão estudando a possibilidade de fazerem mais algumas aulas, através do grupo criado no telegram: https://t.me/joinchat/PqdAkAuMW08QzQrOMlUlFw .Quem tiver interesse, basta acessar o link. Além disso, a academia de dança oferta as aulas regulares e pagas, as quais estão em pleno funcionamento, com mais de 20 modalidades e 100 turmas. “Estão todos super convidados!”, indica Nayane Dias. 

Por Mayariane Rodrigues e Paloma Castro

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção