“Participação da família é muito importante”, diz coordenador do “Escola em casa”

O Programa Escola em Casa , da Secretaria de Educação do Distrito Federal, possibilita que alunos da rede pública continuem as aulas durante o período de quarentena por causa da pandemia do coronavírus (saiba mais). As aulas são transmitidas pelas TVs Justiça e União, das 9 às 12 horas durante a semana.  Às segundas, quartas e sextas-feiras são transmitidas aulas gravadas para todas as modalidades e etapas. Terças e quintas-feiras programas ao vivo, com aulões para o 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio, sobre temas específicos dessas etapas, voltados para o Enem e o PAS, segundo a assessoria.  Na entrevista a seguir, o coordenador do programa, o professor David Nogueira, afirma que é fundamental que a família participe e acompanhe como os alunos realizam as tarefas e assistem às aulas. 

Como estão separando o conteúdo para atingir todos os alunos, já que há uma aula só para todo o ensino médio por exemplo?

David Nogueira: Nos programas gravados separarmos os objetivos de aprendizagem, e tentamos abordar temas que são comuns a faixas etárias diversas. O que acontece na educação básica é que tem um tema comum e você desenvolve a mais as competências e habilidades que são trabalhadas de outra forma. Por exemplo: você estuda Getúlio Vargas no nono ano e na terceira série. É o mesmo tema da aula, mas as competências e habilidades que o professor trabalha com o nono ano é, ou deveria ser, diferentes das competências trabalhadas na terceira série do ensino médio.

 Na primeira semana, foi muito difícil fazer uma programação voltada especificamente para anos e séries mas a  nossa ideia é, na medida que a gente fazer isso rodar de maneira mais ajeitada, conseguir fazer essa separação também para anos e séries. Nas aulas ao vivo, a gente já conseguiu fazer isso porque elas são para o ensino médio, mas começa às nove da manhã com primeiro ano, às dez com o segundo ano e às onze horas com o terceiro, ai os conteúdos já podem ser trabalhados de maneira mais específica para a série que o estudante está.

Assista à entrevista

 

Esse formato tem prazo de validade, ele pode durar até dezembro sem que os estudantes percam muita coisa? 

David Nogueira: Bom, espero que não. O formato dura enquanto durar o isolamento social, eu sinceramente espero que o isolamento não dure até dezembro. É uma maneira diferente, um estudo mediado por tecnologia é muito difícil de comparar com um estudo que é feito ao vivo. Se você estiver falando friamente só de objetivos de aprendizagem ou de conteúdo, pode ser que consiga cumprir grande parte dele. Mas a gente sabe que a escola na educação básica vai além disso, ela trata de competências socioemocionais. A sociamentização é muito importante dependendo da idade, estudantes que têm algum tipo de transtorno por exemplo, precisam muito da socialização. Então quando você fala sem perder alguma coisa, é muito difícil, sempre há o que se perde em um processo assim. O que a gente está fazendo aqui é uma forma de aliviar um pouco esse momento que é pesado para todo mundo. 

 

 Além da TV, o programa vai disponibilizar conteúdos para os alunos em outras plataformas?

David Nogueira – A gente começou os testes. Conseguimos instalar os estudantes todos na plataforma google classroom (google sala de aula) e vamos disponibilizar material para os estudantes do ensino médio e anos finais.

Vocês pensaram que alguns alunos podem não ter acesso a algumas plataformas como o google sala de aula? Existe alguma estratégia?

David Nogueira – A TV é o meio mais acessível, a gente começou pela TV por conta disso. Além disso, é claro que a gente sabe que alguns estudantes não terão acesso ao google sala da aula. Quer por que não tem a acesso internet, quer porque o programa de dados não vai conseguir atingir. A gente está imprimindo uma certa quantidade de material para uma semana, que vamos distribuir para aqueles estudantes que nenhum tipo de tecnologia vai atender, ou vai conseguir mediar, então a gente também está pensando nesses. A rede pública nesse sentido é muito heterogênea. A gente sabe que 94 % dos estudantes tem acesso a algum tipo de dispositivo móvel ou internet, mas 6% de uma rede de 460 mil alunos, estou falando de quase 40 mil estudantes, é muita coisa. A gente precisa pensar em todos eles.

Os professores desses estudantes estão em parceria com o escola em casa para melhor orientação e direcionamento de conteúdo? 

Os professores voltaram agora. Eles estavam em recesso, o recesso foi antecipado pelo governador. A gente tem a participação dos professores no processo de fazer os materiais. Todos os materiais que foram feitos agora, todos os professores que estão indo para a televisão são todos professores da rede, que de alguma forma estão fazendo esse trabalho porque entendem que é importante, agora não é obrigatório, a secretaria não obrigou que ninguém trabalhasse para fazer nenhum tipo de material. Os professores que estão fazendo, são professores que estão fazendo de forma voluntária.

Como vão acontecer as avaliações?

David Nogueira – A avaliação deveria ser processual. A plataforma do google sala de aula permite avaliações processuais, mas a gente não está pensando agora em termos legais de ter avaliação, ter presença ou ter nota. A gente tem pensado agora do estudante manter seu vínculo, do estudante do ensino médio manter seu ritmo de estudo e ter material disponível. Essas questões a gente começa a pensar sobre elas, mas a gente precisa olhar com muito cuidado se essa situação se estender por muito tempo, que não é o que a gente deseja.

Quais são as maiores vantagens e desvantagens do programa?

David Nogueira : A vantagem é que o programa Escola em Casa vai deixar um legado para gente. A gente vai ter os estudantes da secretária todos com acesso a google sala de aula, com suas turmas virtuais. Os professores que precisarem lançar mão disso, a secretaria já vai ter isso ponto.. Você pensa por exemplo em estudantes que estão hospitalizados, crianças que por alguma razão ficam muito tempo no hospital e precisam ter acesso a escola, então pode ser que tecnologias assim ajudem, da mesma forma essas aulas que estão sendo gravadas e estão ficando no nosso arquivos, estão podemos lançar mão delas a qualquer momento. Isso é muito positivo, apesar da gente está fazendo em um momento de muita dificuldade, vai ficar um legado para secretaria. As dificuldades o próprio momento: ir ao estúdio, gravar, juntar as gravações, editar isso, em momento de pandemia, isolamento social, pouca modalidade, é um desafio muito grande.

Alguma dica para as famílias ajudarem os estudantes durante o processo?

David NogueiraVeja, a educação mediada por tecnologia não difere da educação ao vivo nesse aspecto. também quando educação se dar sem intermédios, a participação da família é essencial, e não deixa de ser agora. A gente tem um programa adequado para os pais de estudantes que precisam de alguma necessidade educacional especial ou que têm algum tipo de transtorno, e a gente também no final da programação, certa que 30 min, um programa mais voltado para pais e professores, exatamente para dar essas orientações e como eles podem participar desse processo todo.

 

Por Brenna Farias

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

 

 

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção