Educadores físicos encaram desafio de promover atividade a distância

Como promover atividade física sem estar por perto? Esse é o desafio de profissionais que exercem, por exemplo, a função de personal trainer ao lidar com os dias de isolamento social durante a quarentena necessária como prevenção ao coronavírus. As academias fecharam temporariamente as portas. Mas há necessidade de saúde que todos saiam do sedentarismo. 

A mudança brusca de rotina para os profissionais tem se mostrado complicada em função das características do trabalho. “A adaptação, no começo, foi difícil para mim. Eu não gostava tanto e confesso que ainda não gosto desse mundo on-line, mas é a ferramenta que nós temos para ajudar os alunos e tem sido eficaz. No início, tanto eu quanto os alunos estávamos meio que sem jeito, mas já nas aulas seguintes estávamos todos felizes por estar conseguindo fazer os exercícios em casa”, diz o personal Jonathas Pedrosa, que trabalha há 10 anos no ramo. 

Johathas passou a estudar como prestar o serviço de longe. Foto: Arquivo pessoal

Com o atual decreto determinando o fechamento das academias até o dia 31 de maio, o profissional expressa sua preocupação com a duração da quarentena e como isso pode afetar o progresso das pessoas em seus exercícios.  “Vai chegar uma hora que os equipamentos de casa não vão servir mais, os estímulos vão ficar repetitivos e vão haver poucas diversificações de exercícios para se fazer.”

 

Prejuízo e novos materiais 

 

O personal trainer Thiago Sampaio lamenta que houve uma frustração com o declínio do número de alunos. “Estou com uma demanda de 60% dos meus alunos via chamada pela internet. Então tive prejuízo na minha renda”. Thiago acrescenta que precisou comprar alguns materiais específicos para conseguir prosseguir dando suas aulas no formato on-line. 

 

“Algo que não pode ser normal é ficar parado”, disse o outro profissional da área, Thiago Silva Macêdo. Ele diz que está se esforçando ao máximo para não deixar os alunos sem exercício. “Para minha adaptação, tive que colocar meus equipamentos dentro do meu carro e ir até os clientes, tive grande dificuldade com essa locomoção”.

Thiago se esforça para não deixar alunos sem prática. Foto: Arquivo pessoal

Essa é apenas uma das preocupações de diversos profissionais sem espaço de trabalho. Existe também uma grande tensão sobre o fluxo de alunos para aqueles que trabalham de forma individualizada. “A maioria dos meus alunos simplesmente desapareceu”, disse Carla Aguiar, empresária autônoma que teve seu estúdio fechado com o decreto do dia 15. 

 

“Trabalho com extremos: alguns alunos gostaram e se adaptam a exercícios em casa, mas muitos rejeitam por completo. Minha maior preocupação é as pessoas desanimarem e não conseguirem manter uma rotina de exercício regular”.

 

 Enquanto isso, o personal Thiago Sampaio comenta a importância de prestar atenção em como não se deve sentir após seus exercícios, para saber assim se está se esforçando além de seus limites. “A sua percepção de esforço ao terminar o exercício não vai ser de algo prazeroso e sim de algo que não queira repetir, e você estará cansado, impossibilitando uma nova rotina de exercícios dentro de casa.” 

 

O profissional explica que a minha maior preocupação são os treinos divulgados nas redes sociais de forma não individualizada, o que pode prejudicar o trabalho de profissionais de educação física e até dos cuidados do fisioterapia.

 

Atividades em casa

 

Jonathas Pedrosa menciona que a atividade física é importante também para a saúde mental. Para se mexer, também acompanhado por profissionais, não é necessário começar com atividades complexas. “Desde abdominais simples até uma corrida estática levantando os joelhos já é uma boa forma de se manter em movimento.

 

 Fazer alongamentos ao decorrer do dia também é muito bom para evitar dores na lombar e cervical por ficarmos sentados ou olhando para nossos celulares muito tempo ao decorrer do dia. “Séries de exercícios simples podem ser muito benéficas”, acrescenta Thiago Silva. “Algo tão simples como sentar e levantar do sofá ou fazer alguns abdominais fazem toda a diferença para um organismo parado”.

 

Por Miguel de Castro e Bernardo Guerra

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção