CNA está otimista para produção e geração de empregos em 2019; trabalhadores estão céticos

Soja deve ter crescimento de 6% na próxima safra. Foto: Jonas Oliveira/Divulgação

Após turbulência no setor agropecuário em 2018 com o tabelamento do frete e a greve dos caminhoneiros,  representantes da indústria agropecuária estão otimistas para o próximo ano. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projetou o Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio de 2019 um crescimento de 2%, além de uma alta de 4,3% no Valor Bruto da Produção (VBP) – que mede o faturamento da atividade agropecuária dentro da porteira.  Dirigentes da CNA entendem que a postura reformista do novo governo pode ajudar o setor a apagar as sombras de 2018 (que deve fechar em uma queda de -1,6% em relação ao ano anterior).

Greve dos caminhoneiros foi responsável por queda do agro em 2018

Bruno Lucchi: reformas devem estimular a economia. Foto: CNA

“A perspectiva é boa e deve atingir produção semelhante a de 2017”, disse o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi. Segundo ele, reduzir a burocracia e promover as reformas necessárias para ajustar as contas fiscais devem ajudar o setor a ter um crescimento maior no próximo ano. “Acreditamos que fazendo as reformas necessárias, principalmente, a tributária, pode gerar um desdobramento maior para o resultado da agropecuária”, analisou. Uma das expectativas para 2019 é que a safra de grãos seja maior do que a deste ano, com uma colheita de 228 milhões de toneladas. Em relação à soja, há uma estimativa de crescimento de 6% na safra 2018/2019.

Além disso, Lucchi explicou que as ideias de tom liberal do governo eleito vão ao encontro com a proposta da CNA. Lucchi também entende que a postura da equipe econômica montada pelo novo governo deve trazer mais facilidades quanto a burocracias para o setor.  “Temos certeza que no ambiente institucional vamos ter menos problemas. E é isso que o produto quer”, ressaltou.

Logística

O presidente da CNA, João Martins, reforçou a ideia de empolgação em relação ao próximo governo. “Tudo que o atual presidente eleito falou até agora vai ao encontro com o que gostaríamos que ocorresse, de fato, na agropecuária brasileira”, reafirmou. Ele aproveitou para elencar como principal problema para o setor a problemas de infraestrutura para movimentação dos produtos. “Nossa logística encarece a nossa competitividade lá fora. Nossa expectativa é de novas estradas, ferrovias, hidrovias e nossos postos, até a diminuição da burocracia para despachar o que produzimos. A expectativa é que esse governo busque a solução o mais rápido possível”, frisou.

João Martins: otimista em relação à política agropecuária

Lucchi chamou atenção para a geração de empregos do setor. Segundo a CNA, a agropecuária gerou 74,5 mil postos de trabalho – quarto segmento que mais ofertou vagas no país. “O setor de insumos e processamentos cresceram. Eles vão precisar de mais assistência técnica. O cenário melhora como um todo e a expectativa é positiva para novos postos de emprego”, argumentou.

Exportação

Ampliar as possibilidades de exportação com mais países é o principal ponto defendido pela superintendente de relações internacionais da CNA, Lígia Dutra. Segundo ela, o Brasil deve melhorar as condições tarifárias nas negociações bilaterais. “Precisamos nos inserir melhor no mercado internacional. Pagamos tarifas altas”, informou a superintendente de relações internacionais da CNA, Lígia Dutra.

Ligia Dutra: é necessário ampliar mercados

Ela defendeu que os objetivos para a exportação são facilitar o comércio, remover barreiras de redução de tarifas, reduzir burocracias em acordos bilaterais. “Inserção comercial é o nosso objetivo para o ano que vem, assim como diminuir barreiras nas questões de verificações fitossanitárias”, reforçou.

Lígia Dutra lembrou que os países asiáticos são os principais mercados para a exportação brasileira, uma vez que eles tem uma economia e uma população crescente. No entanto, quando questionada a respeito do posicionamento do presidente eleito Jair Bolsonaro mais alinhado aos Estados Unidos, Lígia amenizou a questão política. “Os EUA são grandes parceiros. São concorrentes também, mas temos mercados complementares, como o pescado e as frutas. O que a gente quer é uma abertura com os americanos, com os chineses e com todos os lugares”, frisou.

De janeiro a novembro de 2018, as exportações tiveram elevação de 4,6% em relação ao mesmo período de 2017, o que gerou um total de US$ 93,3 bilhões. Neste ano, o setor foi responsável por 42% das vendas externas totais do país e por 7,2% das exportações mundiais de agro. O Brasil, hoje, está em terceiro lugar entre os maiores fornecedores de alimentos.

Pessimismo

Apesar do otimismo da CNA com o setor, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Distrito Federal, Esteniza Fernandes da Costa, entende que a melhora só vai acontecer para latifundiários. “Para o grande produtor deve melhorar. Agora quem perde e já estava perdendo desde Temer, vai perder mais ainda”, explicou. Segundo ela, as decisões tomadas, como a reforma trabalhista, só pioram a condição de trabalho do setor.

Outra crítica colocada por Esteniza foi quanto ao uso de agrotóxicos. De acordo com ela, a postura do novo governo é favorável ao uso desses produtos. “Pelo que dizem, vai abrir porta para esse veneno. Muita gente morre com esses malditos venenos. Sem contar a alimentação venenosa que comemos todos os dias”, disse.

Por Bruno Santa Rita

Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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