Os tipos de câncer que mais matam: saiba mais sobre as diferentes formas de prevenção

A suspeita assusta. O diagnóstico costuma cair como uma bomba depois de realizar exame. Com a evolução da ciência, foram criados novos tipos de tratamento. No entanto, a prevenção é o melhor remédio. Nossas repórteres procuraram especialistas que explicam como evitar o desenvolvimento das doenças que mais matam homens (próstata e pulmão) e mulheres (mama e intestino).

Informações do Instituto Nacional do Câncer. Arte: Gustavo Nascimento

Assista ao vídeo abaixo sobre tratamento de câncer na rede pública do DF

O câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), foram estimados mais de 30 mil novos casos para 2018. Em 90% dos diagnósticos, a doença está relacionada ao consumo de derivados do tabaco. Entretanto, com ou sem o fumo, a prevenção é possível.

Segundo o médico oncologista Fernando Fragoso, especializado em pulmão, parar de fumar é a melhor maneira de se proteger, mas não a única, até porque a doença não é exclusividade de fumantes.

“Deve-se evitar o tabagismo, exposição ao gás radônio e a outras exposições cancerígenas”, explicou.

A nutricionista Bruna Souza trabalha em conjunto ao oncologista Fernando e estuda a ajuda de dietas para a prevenção. A alimentação prescrita pela nutricionista serve para fumantes e não fumantes.

“Uma dieta saudável, rica em frutas e vegetais pode ajudar a reduzir o risco de câncer de pulmão”, ressaltou.

Para quem é ativo no meio do tabagismo, ainda há esperanças. De acordo com o oncologista, nunca é tarde para começar a se prevenir. “Parar de fumar tem benefícios quase imediatos. Dez anos após parar de fumar, ex fumantes diminuem o risco de desenvolver câncer de pulmão em até 50%”, alertou.

Tabagismo

O câncer de pulmão não é o único que tem como a principal causa o consumo de derivados do tabaco. Laringe, faringe, cavidade oral e esôfago são os principais afetados pelo fumo. Entretanto, também contribui para o surgimento da doença na bexiga, pâncreas, útero, rim, estômago e intestino, além de algumas formas de leucemia.

O pneumologista Paulo Belém atenta para riscos além do câncer. A Organização Mundial da Saúde, ainda destaca que o narguilé corresponde à exposição de componentes tóxicos presentes na fumaça de 100 cigarros.

“Fumar pode causar doenças cardiovasculares e doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como enfisema pulmonar ou bronquite crônica”, ressaltou.

Além disso o pneumologista adverte em relação a transmissão de doenças infectocontagiosas com o uso do narguilé, como hepatite, herpes e tuberculose, além dos problemas pulmonares. E ainda destaca que para prevenir as consequências do fumo, fumantes passivos devem evitar a companhia frequente de fumantes. “Uma das vitórias dos fumantes passivos foi a lei Anti-Fumo que proíbe fumar produtos derivados do tabaco em locais coletivos, públicos ou privados”, finalizou.

Colonoscopia

O câncer é uma das doenças que mais atinge a população brasileira, são cerca de 30% segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O câncer de intestino é o segundo da lista que se desenvolve mais nas mulheres, perde só para o de mama. Esse tipo de câncer sempre se instala no intestino grosso, mas são raríssimos os casos de tumores de intestino delgado. Os mais comuns são os de Cólon ou o de Reto. A doença começa sempre como uma lesão benigna que vai evoluindo lentamente até transformar-se num tumor maligno. No Brasil, a incidência aumenta cada vez mais, apesar de ser um câncer que pode ser prevenido e que tem bom prognóstico. De acordo com o INCA, estão sendo esperados mais de 18.900 novos casos desse tipo de câncer nas mulheres no ano de 2018.

Há diversas maneiras de prevenir o câncer de intestino, tudo irá depender da genética familiar, alimentação e estilo de vida que a pessoa conduz. Existe dois exames específicos que podem ajudar a descobrir a doença. A colonoscopia (para o Cólon) que serve para diagnóstico,tratamento e prevenção do câncer de intestino. E o exame de toque retal para o Reto. É o que explica o oncologista Rodrigo Martins sobre as prevenções da doença.

Câncer de próstata

O Câncer de Próstata é o resultado de uma multiplicação desordenada das células da próstata, exames preventivos podem descobrir esse câncer no estado inicial, mas devido ao medo e o preconceito muitos casos só são descobertos em estado avançado. O Novembro Azul é uma campanha de conscientização realizada por diversas empresas e fundações no mês de novembro, que é direcionada aos homens, para conscientização a respeito do câncer de próstata.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 582 mil novos casos de câncer até o final do ano de 2018. Os dados demonstram que 300 mil pacientes são homens e que 68.220 mil desses casos são de câncer na próstata.

Segundo a médica Soraia Toledo, o câncer de próstata pode atingir homens de qualquer idade, mas a sua incidência aumenta a partir dos 50 anos.

Atualmente, existem muitos exames que detectam o câncer precocemente. Os exames são aconselhados dependendo de caso para caso considerando o histórico familiar, a idade e estilo de vida, de forma geral, os homens, com mais de 50 anos, devem visitar o urologista anualmente.

De acordo com a médica Soraia, hábitos alimentares, como dieta rica em gordura animal, podem estar relacionados com maior incidência da doença.

“Os efeitos que a prática de atividade física, peso e dieta no risco de câncer de próstata ainda não são claros porque ainda estão estudando sobre isso, mas alimentação com uma grande variedade de vegetais e frutas e manter o físico ativo podem reduzir esse risco, assim como a redução do consumo de álcool.”

O câncer de próstata assim como demais câncer possui a possibilidade de se disseminar por demais órgãos, por isso é necessário o diagnóstico preventivo para evitar casos como esse. O diagnóstico do câncer de próstata deve ser feito a partir dos 45 anos, na maioria dos casos, por meio de uma junção de dois exames, são eles: o exame clínico do toque retal anualmente e pelo exame de sangue, para checar a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) que é uma enzima utilizada para o diagnóstico.

“Possuindo qualquer desconfiança em relação à presença do câncer, o paciente deve procurar um urologista, de confiança, para que ele indique exames básicos para detectar o câncer de próstata. E claro, é bom sempre manter os exames em dia”, explica Soraia.

Câncer de mama

O crescimento descontrolado de célula da mama pode ser um sinal da doença. Os médicos avaliam se há características anormais, que podem ser causadas por uma ou mais mutações no material genético da célula. O problema ocorre quase que exclusivamente em mulheres, mas homens também podem ter.

De acordo com o oncologista José Leite Carneiro, muitos fatores de risco podem aumentar a chance de desenvolver câncer de mama, mas ainda não se sabe ao certo como alguns desses fatores de risco tornam as células cancerígenas.

“Alguns fatores de risco que podem causar o câncer de mama é a menarca precoce, predisposição genética hereditária, menopausa tardia, mamas densas, obesidade, sedentarismo, alcoolismo, tabagismo e uso de terapia de reposição hormonal”.

Como toda doença, alguns tipos de câncer tem cura e outros não. O oncologista afirma que as possibilidades de cura são relacionadas diretamente ao tempo em que o tumor foi descoberto e que quanto mais cedo o diagnóstico foi feito, mais chances do tratamento dar certo. A prevenção do câncer não é totalmente possível por conta da variação dos fatores relacionados ao surgimento da doença.

“De modo geral a prevenção baseia se no controle dos fatores de risco. A alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor pois as células são estimuladas. A terapia de reposição hormonal (TRH), quando estritamente indicada, deve ser feita sob rigoroso controle médico e pelo mínimo de tempo necessário”.

O auto-exame das mamas, também chamado de auto-cuidado, pode ser feito pelo menos uma vez ao mês, preferencialmente no mesmo dia do mês para que as mulheres se familiarizem com suas mamas. O autoexame de mama não substitui o exame clínico que deve ser feito a cada dois anos a partir dos 30 ou 35 anos, mas a mulher pode ajudar na detecção precoce do câncer de mama fazendo o toque das mamas. Mas encontrar um nódulo não quer dizer que seja um câncer, apenas um médico pode fazer o diagnóstico após exames.

Por Claudiane Brito, Giovanna Hilário, Letícia Takada, Marina Nascimento, Victória Olímpio

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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