Entenda como o movimento vegano beneficia meio-ambiente

Rafael Mendes, 20 anos, decidiu mudar a alimentação aos 18. Foto: Aline Rocha

Aos 20 anos, Rafael Mendes decidiu mudar a alimentação e seguir o movimento do veganismo. Eduarda Araújo, com a mesma idade, também aderiu ao estilo de vida. Eles não se conhecem, mas fazem parte de uma parcela da população que decidiu eliminar produtos de origem animal da mesa.

De acordo com The Vegan Society, instituição vegana mais antiga do mundo, o significado da expressão tem relação com “uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais”.

Estudante de nutrição, Rafael segue a dieta há um ano. Ele conta que decidiu mudar a alimentação da noite para o dia, mas, principalmente, por causa da saúde. Com o tempo, entendeu o impacto do veganismo na vida dele e, como consequência, desenvolveu uma compaixão com os animais.

“Decidi depois de assistir ao documentário Forks over Knives que fala sobre as doenças causadas pelo consumo excessivo de carne, leite e ovos. Senti certo medo e nojo e, naquele momento, simplesmente não queria mais comer animais”, ressalta.

Soraya Lôbo, 43 anos, mãe de Rafael, conta como se sentiu após o filho ter tomado essa decisão. “A única coisa que falei para ele é que, se fosse para fazer, era para ser uma coisa bem feita. Se preocupar principalmente com a saúde. Como ele é da área, acabou sendo mais tranquilo, mas eu apoiei 100% desde o início”, explica.

A publicitária acrescenta que, por influência do filho, também diminuiu o consumo de carnes e, após essa mudança na dieta, percebeu melhorias na saúde e no bem-estar. “Reduzi a carne mais por questão de saúde e de funcionamento do meu corpo. A carne me deixa pesada, mas não deixei de comer, hoje eu só não consumo mais durante a semana,” conta.

Ensino sobre veganismo

O estudante de nutrição ressalta que o veganismo ainda não é pauta na maioria das faculdades de saúde. Rafael explica que sempre faz questão de questionar os professores para que, tanto ele quanto os docentes e colegas de classe, possam aprofundar mais no assunto com conteúdos específicos, além de atividades, trabalhos e palestras.”Eu acho que a faculdade peca muito. Hoje, como sou vegano, pergunto mais para os professores e eles começam a perceber que tem gente interessada no assunto”, conta.

Adilson Ferreira já foi nutricionista de Rafael e explica que o profissional da área tem de se adequar ao estilo de vida e às ideologias dos pacientes. “O profissional tem que aprender a respeitar o estilo de vida de cada um e tentar adequar na dieta a alimentação mais saudável possível para essas escolhas que o paciente tem”, esclarece.

Adilson conta que não tem o costume de prescrever dietas sem alimentos de origem animal mas, se houver a solicitação do paciente, ele adequa aos padrões do atendimento. O nutricionista ainda explica que todos os extremos são prejudiciais à saúde e, segundo ele, “tanto veganos quanto carnívoros podem ser saudáveis ou ter prejuízos se não tiverem alimentação adequada e acompanhamento nutricional que respeite seu estilo de vida.”

Rafael sugeriu a adoção da Segunda Sem Carne, movimento mundial que promove a não ingestão de alimentos de origem animal durante as segundas-feiras. Caso uma pessoa substitua o consumo da carne por fontes vegetais por apenas um dia da semana, é possível atingir um impacto positivo ao meio-ambiente. Em 2013, o Distrito Federal aderiu à campanha por meio do Diário Oficial do DF (DODF).

Sustentabilidade do veganismo

De acordo com pesquisa mais recente feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), em 2012 cerca de 5 milhões de brasileiros eram veganos. O movimento surgiu em 1994, no Reino Unido.

Estudo feito por seis universidade americanas também demonstrou que dietas vegetarianas, veganas e onívoras são mais sustentáveis e suficientes para suprir a demanda de alimentos da população americana com o uso apenas de terras agrícolas.

Eduarda Araújo, estudante de publicidade, procurou saber mais sobre o estilo de vida vegano por causa da sustentabilidade. “Desde sempre fui muito interessada pelo assunto e, no fim de 2016, comecei a buscar crescimento pessoal e nisso estava incluso o autoconhecimento e re-analisar tudo que eu fazia”, explica.

Em relação ao custo financeiro, os veganos defendem que a alimentação é básica e barata. Para a universitária, os itens caros são comidas industrializadas que não precisam ser consumidas todo dia, como substitutos de produtos que originalmente não seriam veganos, mas que possuem sabores semelhantes. Assim como Rafael, Eduarda ressalta a base da dieta vegana: “Nossa alimentação se baseia nas leguminosas: lentilha, feijões, ervilha, legumes e sementes que, principalmente se compradas a granel, saem por um preço acessível.”

A estudante conta que um dos maiores objetivos como vegana é transmitir a cultura do movimento para aqueles que não tem o conhecimento. Segundo ela, as redes sociais ajudam na divulgação da ideologia. “Acho que o ponto principal é fazer parecer natural, uma hora ou outra postar comidas deliciosas, fáceis e veganas e mostrar que quem é vegano não é fraco. Tudo isso para desmistificar os estereótipos e inconscientemente tornar algo agradável aos olhos”, explica.

Nutricionista, Nathalia Patrão conta que doenças inflamatórias, cardiovasculares e crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, podem ser causadas pela ingestão de alimentos de origem animal, além de aumentar o índice de câncer gástrico na população. “Há, também, incidências de câncer relacionadas ao trato gástrico principalmente porque a proteína é um pouco mais difícil de ser digerida, ainda mais carne vermelha”, esclarece.

Nathalia explica que a maior dificuldade dos pacientes veganos é encontrar as melhores maneiras de inserir micro e macronutrientes presentes na proteína animal na alimentação. “Muitas vezes esses nutrientes não estão tão presentes, tão ricamente nos alimentos de origem vegetal, então encontrar as fontes é uma dificuldade para as pessoas”, esclarece.

Por Aline Rocha, Caroline César e Mariana Coutinho

Sob supervisão Isa Stacciarini

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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