Espera sem fim: pacientes graves não conseguem cirurgia reparadora

Sérgio Bernardo Fausto, de 48 anos, trabalhava como engraxate quando descobriu que estava com um câncer maligno próximo aos olhos e foi encaminhado para o Hospital de Base, em 2016. A doença foi diagnosticada depois do rápido desenvolvimento, com sangramento e dores em um dos olhos . Em pouco tempo, o tumor alcançou a pele do rosto, causando degeneração. Por esse motivo, Sérgio foi encaminhado para uma cirurgia plástica reparadora pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em maio deste ano, mas não teve êxito. Ele foi informado que não poderia fazer a cirurgia imediatamente por conta da grande quantidade de pessoas que também aguardam esse procedimento.  

A esposa de Sérgio, Lúcia Helena dos Santos, de 43 anos, deu entrada na Defensoria Pública em  para tentar fazer com que o processo fosse mais rápido, pois ele não poderia esperar muito tempo. Lúcia conseguiu a autorização para a cirurgia no Hospital de Base do Distrito Federal. O prazo para atendimento da solicitação pelo Hospital de Base foi de cinco dias, mas eles alegaram que não havia leitos para internar o paciente. Somente depois de insistir que o caso era de urgência, Sérgio conseguiu a vaga e fez a cirurgia em 14 de agosto.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal explicou que as cirurgias são agendadas pelo sistema de regulação ambulatorial e que não tem como mensurar o tempo de espera para cada operação, porque existem diversos fatores que tornam um caso prioritário, como pacientes que estão em casos críticos de tumor ou feridas abertas.

O paciente deve passar por uma avaliação na unidade básica de saúde e o médico, caso ache necessário, faz uma solicitação para que ele possa fazer o agendamento. Diante do excesso de demanda, a maior parte dos atendimentos de cirurgia plástica reparadora são os oncológicos (os que têm tumores ou câncer e principalmente as de reconstrução mamária), vítimas de queimaduras, pacientes bariátricos e com HIV/AIDS que apresentam lipodistrofia. Lipodistrofia é um conjunto de alterações que ocorrem abaixo da pele, causada por problemas no metabolismo.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde todas as pessoas possuem o direito de buscar cirurgias plásticas pelo SUS, porém apenas aquelas analisadas e recomendadas pelas equipes médicas, conseguem esse direito. Além disso, a secretaria também afirma que não existem casos de cirurgia plástica estética realizada pelo SUS, apenas reparadoras.

Segundo o Ministério da Saúde, o SUS realiza apenas cirurgias plásticas reparadoras. Diferente da cirurgia estética, a reparadora trata deformações genéticas (de nascença, por exemplo) ou adquiridas (acidentes, traumas e outros). A cirurgia fornecida pelo SUS abrange três áreas: lábio palatal (crânio e bucomaxilofacial) que é uma abertura ou fendas no céu da boca e lábios, lipodistrofia e lipoatrofia facial e queimadura.

Por Paula Beatriz e Ana Paula Teixeira 

Artes: Paula Beatriz 

Foto da capa: Creative Commons

Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira e Katrine Boaventura 

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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