Promotor do MPDFT diz que falta conscientização ambiental para coleta seletiva

Foto: Vítor Mendonça/Agência de Notícias UniCEUB

Apesar de ser uma das melhores economias brasileiras, segundo o promotor do Meio Ambiente do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), Roberto Carlos Batista, Brasília ainda “não é referência em educação ambiental voltada para a coleta seletiva”. Para ele, seria necessário que as cooperativas colaborassem com mais ações de conscientização junto às comunidades.

Mau exemplo

Para o promotor, Brasília tem grande potencial como economia para ter uma coleta seletiva relevante. “A qualidade e o nível de vida das pessoas aqui é superior à média. Isso significa dizer que o valor que elas produzem como dejetos, como resíduos, pode ser melhor aproveitado para voltar à indústria de reciclagem”. Segundo ele, entretanto, não é o que acontece.

O promotor Roberto Carlos Batista afirma que o dever de instruir a população e investir em campanhas educativas é das cooperativas que realizam o serviço de coleta, como estabelecido em contrato. No entanto, ele alega que, por falta de clareza do que é estabelecido no acordo, essas funções não eram exercidas plenamente.

Confira trecho da entrevista:


Iniciativas precárias

O Centro-Oeste tem o menor índice de iniciativas de coleta seletiva do país. Em 2016, o Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tiveram envolvimento de 43,3%; 0,4% a mais que em 2015, apenas. A região Sul lidera o ranking com 89,8% de envolvimento.

Confira tabela abaixo:

Fonte: Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais
(ABRELPE)

Em 2016, o Brasil produziu 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos, 214.405 mil toneladas por dia. No entanto, sete milhões tiveram destino impróprio no país, o que corresponde a pouco mais de 9%. Foram 71,3 milhões de toneladas descartadas de maneira correta. Do total de resíduos coletados, 58,4% destinaram-se a aterros sanitários. Os dados são da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE).

Catar para sobreviver

Marconi Pacheco, 50 anos, é presidente da Cooperativa e Associação dos Catadores Recicladores de Resíduos Sólidos de Brazlândia e há 23 anos trabalha como catador. Ele conta que o maior problema ao coletar os materiais que recebem na cooperativa está na mistura entre resíduos recicláveis e não recicláveis, pois a separação não foi realizada da maneira correta. Quando feita, “é mais fácil pra trabalhar, pra vender”, reforça.

Sobre o antigo Lixão da Estrutural, Marconi entende que o fechamento melhorou a qualidade de vida dos catadores. Ele comenta que, agora, não é mais necessário trabalhar “debaixo de sol e chuva” e sob condições insalubres, pois os catadores têm uma boa estrutura para lhes proteger. Para ele, não há preconceito por parte da população com o trabalho que fazem e enaltece o papel que exerce na sociedade. “Eu tenho muito orgulho de ser catador”, diz.

Como colaborar

De acordo com as recomendações do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), os resíduos devem ser separados em duas lixeiras: uma para materiais recicláveis e outra para demais resíduos e orgânicos. Resíduos especiais como lâmpadas, pneus e pilhas ou baterias têm destinos específicos, portanto, procure um posto que os receba. As informações e mais detalhes são encontrados na Cartilha para Coleta Seletiva do SLU.

Por Vítor Mendonça

Sob supervisão de Luiz Cláudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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