Hairton Cabral, técnico de seleções de base, assume o Brasília Vôlei

Hairton Cabral, 53, é o novo técnico do Brasília Vôlei após oito anos consecutivos no comando do São Caetano (SP). Desde 2014, o treinador treina paralelamente as seleções de base feminina do Brasil. Ele entende que precisava de um novo desafio.” Eu queria respirar algo diferente, como  a vida é movida a desafios, agora venho para Brasília”, explica.

Ao todo, Hairton Cabral somou 16 anos à frente da equipe paulista (onde chegou em 1994). Segundo ele,

passar muito tempo em uma mesma equipe, gera acomodação.“Tudo tem um ciclo e o meu período no São Caetano se esgotou. Acho que a minha contribuição foi feita”.

O técnico explicou que antes recebeu o convite de trabalhar com o Pinheiros, porém o clube  não aceitou que ele conciliasse com o trabalho como técnico da seleção brasileira sub 18.

Como o Sérgio Negrão, ex-técnico do Brasília, foi para o Pinheiros, surgiu o convite para ele trabalhar no Brasília Vôlei.“Quando eu recebi o convite eu aceitei de imediato”.

Segundo o técnico, Brasília é uma referência no esporte. “Para mim é muito importante estar em uma equipe do nível de Brasilia. “O time sempre teve um lugar de destaque”, conta. Para a formação do elenco da temporada 2018/2019, o Hairton fez questão de escolher as atletas junto com a comissão técnica e a Leila Barros e a Ricarda Lima, gestoras responsáveis pelas contratações. Segundo o técnico, ele escolheu jogadoras com um “bom” histórico e que podem ter um desenvolvimento durante a preparação da temporada.

 

“Todas as jogadoras foram indicadas diretamente por mim”.

O treinador explicou que já trabalhou com algumas das jogadoras contratadas. É o caso das duas levantadoras, Diana Xavier e Mariana Barreto, a  argentina Mimi Sosa e a central Fernanda, que trabalharam com ele no São Caetano. A líbero Dani Terra e a Natália Fernandes também já trabalharam com ele na seleção.

O técnico destaca que o BRB – Brasília Vôlei contratou nove jogadoras adultas. Para completar a equipe, o técnico vai contar com outras cinco jogadoras da base.

O mesmo foi feito com o São Caetano na temporada passada, foram contratadas nove jogadoras adultas e as atletas  da base foram usadas para somar ao elenco. “A minha característica é promover jogadoras”, explica.

Segundo Hairton, trabalhos de maior duração são uma característica dele e deseja ter longevidade no comando do time da capital. “Espero ser bem sucedido nesta temporada, permanecer e melhorar o desempenho do Brasília Vôlei”.A expectativa é grande. “Eu escolhi a equipe a dedo, as possibilidades que temos são muito boas. No decorrer da temporada, vamos saber, mas temos condições de brigar e classificar bem”, conta.

A equipe do BRB – Brasília Vôlei iniciou os treinos nesta última quarta-feira (25),  no SESI de Taguatinga, a princípio sob o comando do assistente técnico Inácio Júnior.

As atletas confirmadas para a temporada 2018-2019 são: Renata Colombo, Dani Terra, Mimi Sosa, Diana Xavier, Natália Gonçalves, Natália Fernandes, Fernanda Campos, Angélica Malinverno, Mariana Barreto, Eduarda Paula e Alessandra Santos (Neneca).

Foto: CBV

 

Seleção Brasileira de base

Hairton vai permanecer no comando de seleções de base.Ele, que já esteve à frente das categorias sub-20 e sub-23, dirigiu a equipe Sub- 18 na disputa do Campeonato Sul-Americano da categoria na Colômbia em julho. A seleção, que ao todo possui 16 títulos na competição, foi derrotada pelo Peru na semifinal, mas garantiu uma vaga para o mundial sub-18 em 2019 ao conquistar o terceiro lugar contra Colômbia.

Para Hairton, não foi um resultado esperado e aponta o pouco tempo de preparação e a falta de experiência das atletas em participações de campeonatos internacionais como fatores que influenciaram.

Segundo ele, por questões econômicas a categoria não participou do Sul-americano Sub 16 nas últimas duas edições, em 2015 e 2017. As outras equipes como a Argentina, o Peru, a Colômbia e o Chile são categorias que estão no mínimo há dois anos juntas. Dessa forma, apesar do peso da camisa e da tradição, o Brasil ficou em desvantagem.

Hairton explicou que enquanto ele estava conhecendo a equipe brasileira no centro de treinamento em Saquarema, a mesma categoria do Peru estava fazendo amistosos no Japão e treinamentos.

A Seleção Brasileira Sub 18 teve apenas 80 dias para se preparar. O  treinador testemunha que as outras seleções estão se programando e agora precisa correr atrás do prejuízo.

Hairton Cabral citou a seleção Argentina de vôlei, campeã do Sul Americano sub-18, como um exemplo na preparação. De acordo com ele, a equipe é semipermanente e todo mês se encontram para fazer treinamentos. “No ano passado o time da Argentina se preparou mais. Não dá para hoje em dia competir com essas equipes que estão se preparando melhor”.

Hairton Cabral afirma que já houve  uma reunião para discutir sobre como é que vão aperfeiçoar essa equipe para o ano que vem no mundial de 2019. “Vamos tentar levar a seleção por um período de treinamento”. O último título infantojuvenil do Mundial foi em 97.

“Vamos tentar fazer vários períodos curtos de treinamento, mas que fazem toda a diferença na preparação para o Mundial”.

Sobre a ausência da participação da seleção brasileira Sub 16 no Sul Americano, o treinador atribui ao custo mais elevado. De acordo com ele, os patrocinadores da CBV(Confederação Brasileira de Voleibol), ao longo dos anos, diminuíram a verba, então, houve redução de investimento em todos os segmentos.

Para ele, é a mesma situação em que passa a questão econômica do país. “Não temos o mesmo aporte financeiro de cinco ou seis anos atrás e, por isso, temos que lidar com essa realidade”.

Segundo ele, antes era possível selecionar mais jogadoras e fazer excursões para reconhecimento para novas atletas. “Esse é um período de aperto e precisamos pegar soluções para manter e garantir a nossa hegemonia no continente e mundial”, explica.

Por Mariana Fraga

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira.

 

    

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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