Peça mistura drama e humor para retratar idoso no país; confira crítica

A peça “Vianinha conta o último combate do homem comum”, que encerra temporada nesta semana em Brasília, emociona e surpreende o público em como a situação do idoso não mudou desde a década de 70. Com momentos de humor intercalados com os de seriedade, o espectador consegue trazer para sua realidade as situações vividas pelos personagens – seja o casal de idosos Lu e Sousa até seu relacionamento complicado com os filhos.

A peça começa com uma cena de um ambiente doméstico de um almoço em família. Com os quatro de cinco filhos reunidos, Lu (Vera Novello) e Sousa (Rogério Freitas) dão a notícia que não podem mais morar no imóvel alugado por ter aumentado o preço. Os filhos decidem, então, ter que separar o casal até encontrarem outra solução melhor. No decorrer da trama, as dificuldades financeiras dos filhos em manter os pais e a própria convivência complicada deixa o destino dos idosos incerto.

O espectador consegue, no decorrer da peça, identificar as situações vividas por Lu e Sousa, mesmo anos após ao retratado na peça. Seja na cena em que o casal conversa pelo telefone – novidade tecnológica para os dois – e que se assemelha muito em como avós e avôs reagem com o celular e seus aplicativos. Ou com as repetidas histórias e piadas que Sousa conta, que é algo característico de muitos idosos. E a teimosia dos avôs para que o português seja seguido corretamente igual enfatiza Sousa?

E é nessa mistura de nostalgia das referências dos anos 70 e da identificação do espectador com os personagens, que uma relação íntima com a história é criada. A Lu e o Sousa se tornam avós, pais e quem próprio presencia a peça. A situação se torna verossímil e atual e, na reflexão do espectador, ele se emociona.  

Mas a peça não é feita só de momentos sérios e tristes. A presença do humor do palhaço(Kadu Garcia) e do amigo do Sousa, o Alfosinho (Gillray Coutinho),  quebra os momentos de tensão. Até as próprias manias de Lu e Sousa causam risadas por fazer o espectador se lembrar de alguém que conhecem e que é semelhante com a realidade. E, o final,apesar de ser aberto, conclui a intenção do autor Vianinha em mostrar que a situação do idoso no Brasil ainda é incerta.

Toda a história gira em torno dos mesmo objetos cênicos: uma mesa e as cadeiras. As cadeiras, de aspecto antigo e clássico, se movimentam pelo espaço com os atores e usam da imaginação do espectador para a criação de diferentes cenários. Com outros móveis antigos acumulados nas laterais do palco e com as janelas ao fundo, a atenção fica mais centralizada na mesa e nas cadeiras, que acabam por ter um papel significativo como a representação do ambiente familiar. A iluminação amarelada combinada com o figurino cinzento e de tons sóbrios dão a sensação de que se trata de um filme antigo. Só as cores vibrantes do palhaço se destacam de todos já que ele possui o papel primário de ser o humor da peça.

A peça “Vianinha conta o último combate do homem comum” traz lágrimas, risadas e, além disso, uma crítica a uma situação social que permanece sem solução até os dias atuais. Ela é uma reflexão necessária, feita com delicadeza e humanidade.

Serviço

Sexta-feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h

Local: Teatro da CAIXA

Valor do Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Por Larissa Lustoza

Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira

 

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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