“O mecanismo”:  Série da Netflix erra na descrição de investigações, dizem policiais

Ficção na mira da realidade: Série O Mecanismo fez com que policiais federais se tornassem protagonistas da narrativa. Foto: Divulgação

 

Além das figuras políticas, a representação das ações feitas pela Polícia Federal tem sido alvo de críticas de profissionais de segurança pública. Fontes ouvidas pela reportagem da Agência de Notícias UniCEUB, na condição do anonimato, explicam que existe imprecisão e erros nas descrições das investigações policiais. Uma agente federal reconhece que a retratação da polícia na obra foi modificada. “Muitas coisas do procedimento policial estão bem falhas, como a conduta dos mandados de prisão, uso de algemas e a condução dos presos nos carros”.

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Para a policial, os delegados são muito destacados, quando na verdade fazem parte de uma equipe. “Mas eles não têm tempo para correr atrás de tudo como mostra na série”. Ela entende que da forma como é transmitida na atração, o público pode não entender como tudo aconteceu.

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Porém, a Polícia Federal não foi a única instituição a trabalhar na operação, juntamente com o Ministério Público Federal. Outras instituições policiais também participaram de ações da Lava Jato, como a Polícia Rodoviária Federal, que não foi citada na série. Um profissional da instituição também critica o fato da Polícia Federal ser considerada a responsável pela execução das operações, inquéritos e investigações. “Há um componente de apoio e de supervalorização perante a sociedade, e a produção artística explora isso superestimando as ações policiais”.

 

Para as fontes, o protagonismo dado na série pode confundir o público. “Outras forças atuam em momentos pontuais, portanto, a não inclusão de outras instituições atende ao senso popular, pois se trata de um produto que precisa ter aceitabilidade e ser rentável”,  critica.

 

“Não há injúria”, diz advogada

 

Para a advogada Simone Chaurais, especialista em direito constitucional, o fato de notícias terem sido amplamente divulgadas sobre a Operação Lava Jato não deslegitima o conteúdo ficcional. Por isso, ela entende que não há, no produto, injúria, calúnia ou difamação. “Poderíamos aplicar injúria em cenas que degradam a imagem do personagem, como a cena que mostra uma relação sexual entre o juiz Paulo Rigo (que representaria Sérgio Moro) e a esposa”, explica.

Por Beatriz Artigas e Gabriela Arruda

Supervisão de Isa Stacciarini e Luiz Claudio Ferreira

Post Author: Agencia de Noticias Uniceub

Professores e estudantes do curso de jornalismo construindo um projeto de extensão para promover práticas e repensar rotinas de produção

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