Com o tema “Religião não se impõe. Cidadania se respeita”, a 20ª Parada do Orgulho LGBTS de Brasília levou milhares de pessoas à Esplanada dos Ministérios neste domingo (25).
Para Leonardo Rodrigues, 55 anos, a comunidade LGBT tem ganhado mais espaço e avançado na luta contra o preconceito, mas o “usufruto” dos direitos plenos ainda está condicionados à luta constante. “Ainda há muitos nichos da sociedade onde o preconceito é muito forte. É uma coisa de mentalidade mesmo. Por essa razão, é importante participar e estar presente em cada parada, para que os nossos direitos venha a ser cada vez mais respeitados”, considera.
Rodrigues recorda que “curiosamente” não sofreu preconceitos no ambiente de trabalho, mas já passou por muitos problemas socialmente. Ele cita como exemplo um caso que aconteceu quando era mais jovem. “Eu ia pra lanchonete e os ditos ‘machos’ me viam com um amigo e soltavam brincadeiras, piadas de mal gosto, esse tipo de coisa”, lembra.
Professora da Universidade de Brasília (UNB), Ximena Bermúdez nasceu no Chile, mas após morar cerca de 30 anos no Brasil, já se considera brasileira por escolha. Ela conta que tem visto o movimento crescer nos últimos anos e diz ser “muito” importante o reconhecimento do direito das pessoas que fazem parte dos grupos LGBT’s. “O movimento precisa lutar contra a violência. A tolerância é fundamental para que a sociedade viva bem”.
Violência
Dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia, mostram que a cada 25 horas, uma pessoa LGBT morre por violência no Brasil, são 343 mortes registradas no ano de 2016.
Segundo o representante da ABGLT no Conselho Nacional LGBT, Clóvis Arantes, a parada é um movimento importante para dar visibilidade à comunidade e levantar a discussão da descriminalização da homofobia, e exigir o fim da violência. “Infelizmente a gente ainda vê todo dia, travestis, transsexuais sendo assassinadas. Não dá pra dizer que a coisa está melhorando. Mas nós já caminhamos e sempre precisamos caminhar mais”, explica.
Marina Reidel é coordenadora da política LGBT no Ministério dos Direitos Humanos, e acredita que, historicamente, a comunidade LGBT têm avançado na conquista de direitos. No entanto, a luta precisa ser diária. “Não é só a parada. A parada é um momento, mas é preciso pensar nos outros 364 dias do ano, quais são as políticas que vamos conseguir construir e avançar”. Ela lamenta que a violência ainda é constante contra a população LGBT.
Por Lucas Valença
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira